Capítulo 10
Julio e Laura estavam tristes. O filho mais novo ia embora da Fazenda Pingos de Ouro. Jussara sentia muito a ida do irmão, era seu companheiro. Edith estava saindo para o trabalho, quando percebe a movimentação. Ela se aproxima de seus empregados. Olha para Márcio e estranha.
_Para onde ele está indo? _pergunta Edith parada ao lado de Julio e Laura.
_Vai para o Rio de Janeiro, estudar _diz Laura chorando.
_Ele não é muito novo para decidir sobre isso não? _Pergunta Edith encarando o menino.
_Na verdade, dona Edith, estou indo para um lugar que eu possa ficar longe da senhora _diz Marcio com ódio.
Edith se impressiona com a petulância do rapaz.
_Marcio, que isso, ela é nossa patroa _diz Julio abalado.
_Ela é sua patroa, minha não. Isso vai mudar. Vou estudar, vou ser alguém na vida e virei aqui para tirar você das garras dessa mulher _diz Marcio sério.
_Que menino petulante. Você nasceu aqui, cresceu aqui. Praticamete eu o vi crescer. Agora, de uma hora para outra resolveu me atacar dessa forma. _diz Edith olhando para os pais do garoto.
_Por favor, Dona Edith, ele acordou estranho hoje. Está assim, atacando a tudo e a todos _diz Laura com o lenço nas mãos, enxugando as lágrimas.
_Nada que uma boa surra não resolva. Nessa idade quem manda somos nós. Se ele está assim é por culpa de vocês. _diz Edith séria.
_Vamos embora, pai. O ônibus vai sair logo _diz Marcio sério.
_Tudo bem, meu filho. _diz Julio com seus olhos cheios de lágrimas.
_Vá e não demore, ainda tem muito serviço para você nessa casa _diz Edith de maneira bem desagradável.
Marcio sai do ônibus e anda em direção a Edith. Ao chegar, para diante dela. Edith acha estranha a reação dele.
_A senhora é o demônio em forma de mulher. Aproveite bem eles como escravo, por que quando eu voltar, eles vão embora comigo. Ainda vai ouvir falar de mim. _diz Marcio.
Em seguida, aproxima-se de Jussara e se despede. Sua irmã mais velha não consegue falar nada, chorava muito. Em seguida ele entra no carro. Julio olha para sua patroa, que estava sem reação. Entra no carro, dá partida e sai.
Laura olha para Edith.
_Desculpe meu filho dona Edith, hoje ele acordou muito estranho.
_Tudo bem, normalmente meninos nessa idade são bem revoltados mesmo. Não concordo com essa política de não bater em nossos filhos. As vezes uma chineladas ajudam muito. Vou trabalhar. Cuide do almoço.
_Sim senhora.
Edith vai para seu carro. Laura, Julio e Jussara vão para a Casa Grande da Fazenda.
...
Um ano depois... 1982...
Felipe estava com Lucia, diante de um Padre. Guilherme, Helena eram os padrinhos. Sara observava tudo muito feliz. Estavam se casando muito cedo, ambos com dezessete anos. Assim que os noivos juram fidelidade eterna, eles trocam as alianças e se beijam.
Guilherme e Helena estavam emocionados. Tinham deixado Lisa com a babá.
_Eu imagino quando Edith souber disso.
_Ela não vai poder fazer mais nada.
_Agora eles legalmente são adultos.
_Meu medo é que sua mãe se vingue de Lucia e Sara.
_Você acha que ela vai querer descontar nelas?
_Sim. Sua mãe é uma mulher muito vingativa.
_Sem problemas. Não há nada que ela possa fazer. Graças a você, conseguiu um grande patrocinador para Felipe e suas obras. Ele está muito feliz.
_Não existe nada que eu possa fazer para um dia conseguir pagar o que seu irmão fez pela gente. Além do mais, ele é muito talentoso. Assim que se formar em artes plásticas, vai ser um grande escultor.
_Vou ajudá-lo também.
Os dois se abraçam.
...
Um ano depois... 1983...
Edith estava em sua sala descansando. Naquele momento, a campainha toca. Ela se levanta.
_Deixa que eu atendo. _diz Edith ao mordomo, que havia aparecido.
_Sim senhora _diz Julio.
Ele volta para a cozinha para ajudar a esposa. Ela abre a porta e se depara com Felipe.
_Felipe, você voltou de viajem quando? Não me avisou nada. Passou um ano viajando, e agora chega de surpresa! _Pergunta Edith feliz.
_Posso entrar? _Pergunta Felipe.
_Claro, meu amor, essa casa é sua _diz Edith.
_Lucia pode entrar comigo? _Pergunta Felipe.
Edith fica enfurecida. Felipe entra e Lúcia estava de costa para a porta.
_O que essa moça faz aqui? _Pergunta Edith com raiva.
Lucia se vira e olha para Edith. Estava com uma criança no colo.
_Podemos entrar, dona Edith? _Pergunta Lucia.
_Claro _diz Edith surpresa.
Os dois entram e vão para a sala. Edith fecha a porta.
_Temos muitas coisas para conversar, mamãe.
_Felipe, só me explique uma coisa. Você me falou que ia viajar, passar um ano na Europa. Não me diga que ela... _E é interrompido por Felipe.
_Eu fui viajar sim. A serviço. Fui a Europa e estou voltando. Voltando com Lúcia, ela foi comigo.
_Não estou acreditando nisso. Se eu soubesse que ela iria jamais tinha dado dinheiro para você. Não percebe que ela é uma caça níqueis que quer o seu dinheiro?
_Não fale assim da minha esposa _Berra Felipe encarando-a .
Aquilo pega Edith de surpresa.
_Vocês se casaram e não me falaram nada _diz Edith, sentindo-se traida.
_Será que nem o seu neto vai fazer a senhora entender o quanto amo o seu filho? _Pergunta Lucia com a criança no colo.
Ela olha para o filho e sorri. Olha para o colo da nora e não acredita. Ao se aproximar, sorri. Emocionada.
_Posso? _pergunta Edith se aproximando. Queria pegar seu neto no colo.
_Claro _diz Lucia entregando o bebê a ela.
_Minha nossa senhora, ele é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida _diz Edith sorrindo. Não consegue segurar a emoção e sente lágrimas escorrerem pelo seus olhos.
_O nome dele é Pedro Decresson. Nasceu a poucos dias. _diz Felipe olhando com amor para seu filho.
_Nossa, pela minha cabeça está um turbilhão. Vocês casados e com filhos. Eu não sei o que fazer, o que pensar. _diz Edith abalada.
_Apenas aceite definitivamente que Lucia é a mulher de minha vida e nada vai mudar isso. Poderia Ter participado de nossa felicidade, de nosso casamento, do meu crescimento profissional, mas não sabia qual seria sua reação ao saber que Lucia estaria ao meu lado _diz Felipe abalado.
_Sua irmã sabe disso? _Pergunta Edith séria.
_Sim, ela me apoiou em tudo. _diz Felipe olhando para a mãe.
Edith olha para Lucia e sorri.
_Você conseguiu o que queria, sua caça níqueis _diz Edith humilhando Lucia.
Lucia aproxima-se de Edith e lhe tira o filho do colo. Seus olhos se enchem de lágrimas.
_Vamos embora, Felipe. Sua mãe não vai me aceitar nunca _diz Lucia abalada.
Felipe aproxima-se de Edith.
_Vai querer mesmo se privar de ver seu neto crescer, não é? _Pergunta Felipe encarando a mãe.
_Não, não vá embora, por favor. É que é difícil para mim saber que você está casada com uma moça pobre. Por favor, não me prive de ver meu neto crescer. Eu vou tentar aceitar Lucia, eu prometo. _diz Edith engolindo aquilo a seco.
_Bem, vou construir uma casa para nós aqui na Fazenda. Se a senhora não for contra. Terei mais privacidade com minha esposa _diz Felipe.
_Então vocês vem morar aqui _diz Edith sorrindo.
_Claro. _diz Felipe.
_Com essa condição, de termos a nossa própria casa. Assim poderemos Ter nossa vida sem a sua intromição. A casa vai ser minha, não quero que ninguém, nem mesmo a senhora interfira em nossa vida _diz Lucia olhando para Edith, sem medo.
_Tudo bem. Tenho que fazer um sacrifício para ver meu neto crescer. Gosto da família toda reunida. Vai ser muito bom. Ter você e sua irmã morando aqui. _Diz Edith encantada com o neto.
Edith teria que engolir Lucia se quisesse ver seu neto crescer. Ele era um legítimo Decresson. Seria missão dele cuidar do patrimônio da família.
...
Cinco anos depois...
1988...
Guilherme e Helena conseguem superar a perda do filho criando Lisa com muito amor. Felipe e Lucia tem mais uma filha. Jéssica. A Família Decresson recebe seus novos descendentes. O Conglomerado fecha os últimos cinco anos com lucro, aumentando as filiais pelo país.
Edith faz de tudo para boicotar o trabalho de Guilherme, mas não consegue destruíl-lo. Edith via que Guilherme próspera na empresa a olhos vistos.
...
Sala de Reuniões...
Helena se levanta para falar. Edith não entende o por que daquela reunião.
_Bem, minha mãe foi contra a reunião. Só que sou uma pessoa muito teimosa e resolvi chamar todos os acionistas do Conglomerados Decresson.
_Todos sabem que você é bem teimosa _Sorri Edith para sua filha.
_Tenho aqui os números das filiais de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Todos concordam que eram filiais que nos davam muito prejuizos, não é verdade? _Pergunta Helena olhando para todos.
Todos concordam com a afirmação em uma só voz.
_Helena tem razão no que diz, inclusive, era da vontade de nossa Presidente fechar essas filiais _diz Guilherme sério, olhando para todos.
_Só que nós enviamos o funcionário Guilherme Souza. Ele passou dois meses em cada uma delas e conseguiu reerguer uma por uma _diz Helena olhando para Edith.
A matriarca dos Decresson percebe que sua filha estava com a razão. Hoje, por causa de Guilherme, não havia necessidade de fechar as filiais. Ela tinha enviado informações para espiões nas filiais com o intuito de derrubar tudo o que seu gênro faria. Mesmo com toda a sabotagem, Guilherme conseguiu acertar o rumo dessas filiais. Era estranho para outras pessoas, se elas descobrissem que Edith mandou fazer aquilo, perceber que a própria presidente do grupo estava sabotando suas lojas. Só que ela faria qualquer coisa para derrubar definitivamente Guilherme Souza, e provocar sua demissão.
Em nada adiantou suas artimanhas. As cinco, na atualidade, se transformaram nas filiais de maior lucro para o grupo. Ela tinha que concordar que, Guilherme Souza era um administrador de empresas de primeira linha.
A sabotagem de Edith não tinha ficado somente restrita ao Grupo. Ela tinha sabotado a GS Wind, a empresa de Importação e Exportação de Guilherme. Através de seu prestígio, fechou as portas da empresa para diversos fornecedores, serviços e produtos. Novo fracasso. A maioria dos fornecedores da empresa de Guilherme era fieís. O nome do Presidente das Empresas tinha fama de bom negociador e tinha crédito. Ao se formar, ele agiu preventivamente, sabendo das artimanhas que Edith iria fazer para cercá-lo e destruí-lo. Tudo em vão. Hoje, Guilherme era um executivo de primeira linha e com a sua entrada para o Grupo Decresson, ele conseguiu com a ajuda de sua esposa duplicar a fortuna que Edith já havia aumentado.
Além disso, Guilherme era um homem justo, um homem admirado por seus subalternos. Tinha conseguido mostrar a Edith que era impossível destruir um profissional honesto e digno como ele.
Um dos diretores financeiros, Bruno Vilares, se levanta. Interrompendo Helena.
_Permite que eu fale, Helena? _Pergunta Bruno.
_Claro, Bruno, fale. _diz Helena.
Bruno era um grande aliado. Sabia exatamete o que ia falar.
_Senhores diretores e acionistas. Estou aqui com relatórios impressionantes, do que é o Grupo sem Guilherme Souza, e do que é o grupo com Guilherme Souza. Esse homem aumentou nosso faturamento, abriu novas filiais. Sete ao todo, pelo Brasil. Salvou cinco da falência e as transformou nas mais rentáveis para nós. É por isso, senhores, que eu proponho reativar o cargo de Vice-Presidente de nosso grupo. Extinto desde a morte de Kleber Decresson. Não podemos esquecer que a nossa presidente, Edith Decresson acumulou esses dois cargos. Ao assumir a Presidência, mas hoje, temos alguém que tem condições de assumir esse cargo, para ajudar a nossa presidente a dividir responsabilidades. É com isso que proponho o nome de Guilherme Souza para Vice-Presidente do Conglomerados de Supermercados Decresson. _diz Bruno olhando para ele.
Ele se levanta e sorri.
_Muito obrigado pela confiança. Acredito que posso ajudar Edith Decresson a dividir um pouco suas responsabilidades. _diz Guilherme olhando para ela.
Todos se sentam. Edith se levanta. Olha para Guilherme e percebe que ele tinha conseguido a sua tão sonhada vingança. Seu crescimento dentro do Conglomerado com sua competência.
_Vamos votar então. Quem acha que Guilherme Souza deve ser nomeado Vice-Presidente de nosso grupo, levante a mão. _diz Edith, com esperanças, de que a diretoria fosse contra aquela proposta.
Só que para seus desespero, Guilherme é eleito Vice-Presidente por uma quase unanimidade.. Contra ele somente Edith e seu aliado, o advogado Rogério. Helena sente-se orgulhosa pelo marido, que agora éra o nome mais forte da empresa depois de Edith.
Ainda de pé, na cabeceira da grande mesa, ela faz uma nova proposta.
_Gostaria muito que o gabinete da Vice-Presidência fosse transferido para o Rio de Janeiro. Recentemente soube notícias de que alguns funcionários fortes na filial da cidade maravilhosa estavam se rebelando, nada melhor que mandar para lá nosso maior executivo, capaz de acabar com essa possível rebelião _diz Edith olhando para ele.
_Sem problema nenhum, podemos ir, não é, Guilherme? _Pergunta Helena sorrindo para o marido.
_Você não, Helena, somente ele. Preciso de sua ajuda aqui em Montes Claros. Acho que os diretores concordam que sua presença aqui na sede é essencial _diz Edith sorrindo para sua filha.
Helena não acredita no que sua mãe estava propondo. Estava usando a empresa para deliberadamente afastar seu marido de seu convívio. Tanto ela quanto ele percebem o jogo de Edith Decresson. Tinha sofrido sua maior derrota diante da Diretoria do Grupo, mas se ela estava indo para o burado, não iria sozinha.
_Realmente, Helena, sua mãe precisa de sua ajuda aqui em Montes Claros. É muito querida pelos funcionários, um afastamento agora poderia causar mal estar entre eles _diz um dos diretores.
_Quem concorda com a transferência de Guilherme para o Rio de Janeiro, levante a mão _diz Edith pedindo a votação.
Toda a diretoria concorda, movida pelos boatos de uma crise interna na sede do Supermercado Decresson no Rio de Janeiro. Helena e Guilherme se entreolham, abalados. Podem considerar aquilo uma meia vitória e uma meia derrota.
A reunião acaba.
...
Edith estava sentada em sua mesa, quando Helena abre a porta do gabinete da Presidência e a fecha.
_Posso saber que palhaçada é essa?
Sua mãe sorri para a filha.
_Não estou entendendo onde quer chegar?
_Transferir meu marido para outra cidade e não deixar que eu vá.
_Vamos pensar somente em nossa empresa. Ele é imprescindível. Alguns funcionários da sede estão insatisfeitos e a presença de Guilherme pode acabar com isso. Tinha que pensar na empresa, nem que para isso, tivesse que sacrificar um pouco o casamento de vocês.
_Mamãe, como você é sórdida.
_Veja lá como fala comigo, Helena.
_Você tentou de tudo para destruir meu marido na empresa. Não pense você que eu não sei o que você fez com as filiais. Suas sabotagens sujas, para denegrir a imagem dele. Se um dia eu conseguir ligar seu nome a elas, eu tiro você da presidência.
_Não sei do que você está falando. E ainda está para nascer alguém que consiga me tirar da minha empresa.
_Ela é tão minha quanto sua. Não se esqueça disso. Você estar na presidência é um mero detalhe.
_Tem medo que seu casamento acabe? _Pergunta Edith sorrindo para sua filha.
_Achei que meu casamento ia acabar quando meu filho morreu, mas ele não acabou. Você bem que gostaria que isso acontecesse.
_Nunca fui a favor de seu casamento, sabe disso. Como nunca aceitei o casamento de seu irmão. Eu ainda vou conseguir separar vocês, para que possam fazer um casamento a altura do nome Decresson.
_Isso nunca vai acontecer.
_Acredita mesmo que só eu ia perder na reunião da Diretoria?
_Cada dia que passa estamos em lados opostos, mamãe. Ás vezes desconfio que você não quer só destruir meu casamento. Você quer Guilherme para você.
Edith fecha o sorriso e a encara.
_Você é um ser desprezível, Helena. Nunca me passou pela cabeça ficar com seu marido.
_Eu ainda não estou convencida disso. Tudo bem, essa você venceu. Não vai conseguir nos afastar. Ficarei aqui durante a semana. Nos finais de semana estarei com ele.
Helena encara sua mãe. Em seguida se retira. Edith sorri.
_Nunca vão Ter paz. Nem você, minha querida filha, nem seu marido. Enquanto eu existir.
...
Helena entra em sua sala. Seus olhos se enchem de lágrimas. Alguém bate na porta. Ela pede para entrar. Era seu marido.
_Sua secretária foi almoçar, então resolvi vir te ver.
Ela se levanta. Caminha em direção a seu marido. Ele fecha a porta e os dois se abraçam.
_Como vai ser agora?
_Nada vai mudar.
_Você vai Ter que morar no Rio de Janeiro.
_Eu sei, mas no final de semana estaremos juntos.
_Eu já estava achando você meio distante.
_Impressão sua meu amor.
_Jura que não estamos passando por uma crise?
_Juro.
_Vou te ver todos os finais de semana.
_Eu sei, o jato da empresa estará ao nosso dispor.
Helena e Guilherme se beijam apaixonadamente. Sabiam que não teriam paz. Edith sempre colocava um empecilho para atrapalhar a vida deles.
...
Marcio estava sentado em sua mesa. Tinha se formado em Advocacia. Era competente, honesto e de boa índole. Na sua cabeça, só pensava em tirar seus pais de Montes Claros, das garras de Edith Decresson. Trabalhava para um grupo de Advogados e teria uma audiência com a empresa que pagava quase metade do salário das pessoas na AG Advogados e Cia. Era a Decresson Supermercados. Naquele momento, a porta de seu escritório se abre. Era sua secretária.
_Marcio, ligaram a pouco do Aeroporto. O avião do grupo Decresson está esperando você.
_O avião particular? _Pergunta Marcio sorrindo, surpreso.
_Exatamente.
_Viu como estou melhorando de vida, Mercedes?
_É verdade. Impossível acreditar que você seria um dos advogados a lidar com o Conglomerado de Supermercados Decresson.
_Esse nome está no sangue. Meus pais são serviçais de Edith Decresson, eu cresci lá.
_Verdade, Marcio?
_Odeio essa mulher, ela os maltrata muito.
_Eu imagino. Aquela mulher deve ser arrogante demais.
_Põe arrogante nisso.
_Bem, é melhor você se apressar.
_Tudo bem, já vou indo, me deseje boa sorte.
_Boa sorte então.
Marcio pega sua pasta, se olha no espelho, arruma a gravata e sai. Mercedes olha para a mesa e dá um último retoque. Sempre que ele saia, ela deixava tudo arrumado para o seu chefe. Sabia que ele era seu chefe, mas ele não a tratava assim.
...
Guilherme sorri para a esposa.
_Fique tranquila, meu amor. Vamos passear muito no Rio.
_Eu sei, mas seria tão bom se eu fosse junto.
_Tem a nossa Lisa. Você sabe que ela não pode ficar sozinha com Edith. Ela faz distinção entre os netos. Jéssica e Pedro sempre ganham tudo e ela... se você não está por perto, já viu.
_Eu sei disso. Sou uma empresária dona de casa _Diz Helena sorrindo para o marido.
_Bem, deixa eu ir que eu tenho uma audiência com o advogado novo. Ele vai nos defender naquela causa dos empregados que perderam o emprego e invadiram o terreno da empresa, em Jacarepaguá.
_Tudo bem. Já almoçou?
_Não, depois eu almoço.
_Tudo bem.
Guilherme e Helena se beijam e ele sai da sala da esposa. Vai direto para sua sala. Pega o elevador e vai para o seu andar. Ao sair do elevador e entrar em sua sala, todos batem palmas para ele. Estavam felizes. Já sabiam que ele era o novo Vice-Presidente da empresa.
_Gente, que é isso, obrigado, assim eu fico sem jeito _diz Guilherme para todos.
_Você merece, chefe _diz Luiza, sua secretária.
_Obrigado. Estarei na minha sala. O advogado já chegou? _Pergunta Guilherme a Luiza.
_Ainda não, deve estar a caminho _diz Luiza.
_Tudo bem, quando ele chegar, faça-o entrar _diz Guilherme.
Ele entra na sua sala, ligar o ar condicionado, pois o dia estava muito quente. Serve-se de um café. Adoça a vontade e coloca a mesma ao seu lado. Pega uma revista e começa a ler.
...
Marcio para diante da sede do Conglomerado Decresson em Montes Claros. Ao vir do Aeroporto até a cidade, muitas lembranças lhe vinham a cabeça. A vida na fazenda, seus pais, sua irmã. A imagem de Edith, arrogante como sempre. Seu medo era dar de cara com ela. Não saberia aguentar revê-la sem que ela soubesse quem ele era.
Ele entra na Recepção, entrega sua identidade e diz que está indo conversar com Guilherme Souza. A recepcionista o aconselha pegar o elevador e parar no terceiro andar. Era a primeira porta a esquerda.
Seguindo a orientação, ele chega ao seu destino. Luiza estava atendendo um telefone e pede para que ele se sente e espere. Assim que ela desliga, o atende.
_O senhor é?
_O Advogado que vai Ter uma entrevista com Guilherme Souza.
_Claro, pode entrar, ele está esperando pelo senhor. Vou anunciá-lo.
_Nossa, senhor é muito estranho, não sou mais velho que você _Diz Marcio sorrindo.
_Desculpe, é a força do hábito.
_Agora sim, está melhor.
Luiza pega o telefone e liga para Guilherme. Ao tocar o telefone, Guilherme se assusta e esbarra na xícara, derramando o café sobre os documentos e sobre sua camisa.
_Droga _Diz Guilherme chateado.
Ele pega o telefone.
_Alô.
_Oi, Guilherm,e, o advogado chegou.
_Pede para ele entrar.
_Tudo bem.
Luiza desliga o telefone e sorri para Marcio.
_Pode entrar, ele te espera.
_Agora sim está melhor.
Marcio entra e percebe que Guilherme estava no banheiro. Ele olha para a mesa e vê uma xícara de café derrubada sobre alguns papéis. Guilherme sai do banheiro, estava sem camisa. Marcio estranha aquilo.
_Desculpe, derrubei café encima dos papéis que íamos revisar, sobre os acertos de sua defesa, sou um desastrado. Minha camisa foi pro brejo.
Guilherme sorri para Marcio. Aquilo o abala tremendamente. Já tinha saído com mulheres, mas sempre tivera certeza de que gostava mesmo era de homens. Com medo da sociedade, tinha namoradas, mas na verdade sua opção era outra.
Alguma coisa aconteceu ao seu coração ao olhar aquele belo homem a sua frente. Sem camisa, meio atordoado com a situação.
_Onde está a sua camisa?
_No banheiro. Olha, não precisa, eu...
_Deixa disso. Sem problemas.
Marcio larga sua pasta na cadeira e entra no banheiro. Pega a camisa, o sabão sobre a pia e passa na mancha de café. Guilherme o acompanha. Percebe que ele era muito descolado. Sabia se virar. Pendura a camisa no box, para secar. Assim que termina sai do banheiro. Guilherme estava impressionado com a desenvoltura do rapaz.
_Você é bem descolado nisso.
_Moro sozinho, tenho que saber me virar.
_Quantos anos você tem?
_Vinte anos.
Guilherme olha para aquele bonito rapaz a sua frente. Era loiro, tinha olhos azuis. Sempre tivera a certeza que gostava de mulheres, mas aquele rapaz possuia algo diferente. Não sabia explicar o que.
Marcio se senta e abre sua pasta. Guilherme retira os documentos sobre a mesa, molhados de café.
_Minha nossa senhora, eles se desmancharam. Como vamos fazer?
O jovem rapaz vai ao banheiro, pega papel para enxugar as mãos e coloca sobre a mesa. Assim que a mesa fica seca, ele os joga fora.
_É preciso passar um pano umedo. Se não vai dar formiga.
_Isso mesmo, aqui em Montes Claros é o que mais tem, formigas.
Marcio se afasta, pega sua pasta. Pega seus documentos e tira de dentro da mesma. Agora é sua vez de ser desastrado. As folhas caem da pasta e se espalham no chão. Na mesma hora, os dois se agaicham.
Eles quase batem com a testa um no outro, mas seus olhares se cruzam. Marcio sente o belo perfume de Guilherme e não consegue deixar de olhar para seu dorso bem feito e levemente peludo. Guilherme o olha, sem saber explicar por que seu coração batia mais forte que o normal.
Eles se levantam.
_Desculpe, agora é a minha vez de ser desastrado.
_Todos somos um pouco desastrados.
Aos poucos eles se afastam. Um sentia-se atraido pelo outro. Marcio percebe que ele era casado. Como explicar aquilo tudo que estava acontecendo.
Naquele exato momento, Helena entra na sala. Ela vê seu marido sem camisa e não entende nada. Eles se entreolham, abalados.
_Posso saber o que está acontecendo aqui? _Pergunta Helena sem entender nada.
_Peguei um café para mim e derrubei encima dos documentos de minha camisa, quando o Marcio chegou. Ele me ajudou a limpar a mancha de café, a camisa está lá dentro. Secando _diz Guilherme olhando para a esposa.
Ela olha para o rapaz e sorri.
_Márcio? Deve ser você _diz Helena sorrindo
_Sim, sou eu mesmo, vim aqui para uma reunião com o seu Guilherme, e o encontrei em apuros _Sorri Marcio.
_Desculpe a falta de educação, esta é minha esposa, Helena Decresson. Este é Marcio Flores, advogado que vai trabalhar na defesa da reintegração de posse de nosso terreno em Jacarepaguá _diz Guilherme.
_Muito prazer _diz Helena séria.
_Bem, acho que vamos Ter que adiar essa entrevista. _diz Marcio
_Pode ser para amanhã? _Pergunta Guilherme olhando para ele.
_Pode sim, ficarei na cidade até amanhã _diz Marcio.
_Tudo bem. _diz Guilherme.
Marcio cumprimenta Helena e Guilherme e se retira. Helena e Guilherme se olham.
_Coisa mais estranha _diz Helena.
_Como assim, meu amor? _Pergunta Guilherme sério.
_Tive a impressão que vocês ficaram constrangidos com a minha chegada _diz Helena séria.
Guilherme se aproxima dela.
_Que besteira! O rapaz é que ficou meio constrangido. Imagina, chegar na sala, para uma entrevista e encontrar um cara sem camisas, estranho não?
_Claro.
_Está imaginando o que?
_Que ele se interessou por você.
_Fico lisonjeado se isso for verdade, mas homem não é a minha praia.
Helena sorri para ele.
_Que bom.
Os dois se abraçam forte. Guilherme fica abalado. Helena tinha desconfiado de algo. Em relação ao advogado. Se ficou evidente para ela, teria que Ter mais cuidado, por que o interesse também havia partido dele. Era mais fácil para ele se aproveitar do fato de que Helena ser completamente apaixonada por ele, e estar cega em relação a isso.
...
Marcio sai do prédio e sorri. Estranho estar diante da mulher do cara que ele havia se interessado. De qualquer forma, não podia negar que Guilherme era o cara que ele havia sonhado a vida inteira. Educado, bonito, com um sorriso estonteante. Não podia esquecer o perfume. Era maravilhoso. Seu medo era não estar sendo retribuido nesse sentimento.
Atravessa a rua e vai para o Hotel de Montes Claros. Estava feliz, por que amanhã o veria novamente.
...
Marcio estava com poucas coisas. Seriam apenas dois dias. Quando acerta os detalhes de sua estadia, sobe para o quarto. Abre a porta e a fecha. Tira a roupa e vai tomar banho. Liga o aquecedor e coloca a água morna. Tira toda a sua roupa e entra embaixo da ducha. Deixa a água cair pelo seu corpo e fecha os olhos.
Não podia parar de pensar em Guilherme. Era algo que não podia controlar. Uma enorme atração.
...
No Final da Tarde...
Guilherme vê que sua camisa estava seca. Ao vestí-la, pensa em Márcio. Estava começando a se preocupar com aquilo. Como estar impressionado com um homem que viu há apenas algumas horas atrás.
Era difícil acreditar que estava interessado num homem. Em toda sua vida sempre fora disputado por mulheres. O amor de sua vida era Helena. O que havia de interessante naquele rapaz? Ele era homem... Nunca havia se interessado por um, mas aquele... estivera em seu pensamento a tarde inteira.
Ele se veste e sai. Estava assustado com o que estava acontecendo.
...
No Hotel de Montes Claros...
Marcio estava de toalha. Tinha acabado de tomar banho. Se olha no espelho e começa a fazer a barba. Assim que termina usa sua colônia. Quando escuta alguém bater na porta.
Ele sai do banheiro e estranha aquilo.
_Só um instante.
Quem seria naquela hora? Ao abrir a porta, se assusta. Era Guilherme.
_Desculpe, eu não sei o que eu estou fazendo aqui. Eu... eu... passei a tarde toda pensando em você, não sei o que está acontecendo.
Marcio abre a porta e olha pelo corredor. Não vê ninguém. Ele puxa Guilherme para dentro do quarto e fecha a porta.
_Não sei o que está acontecendo, mas também pensei em você.
Marcio vê que Guilherme suava frio.
_Nunca gostei de homem.
_Eu sempre gostei, mas nunca estive com um. Sempre namorei mulheres.
_Sou casado, amo minha mulher e...
Marcio não consegue segurar e o beija apaixonadamente. Um beijo forte, marcante. Guilherme tenta lutar, mas acaba se entregando. Aquela atração era mais forte que eles.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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