quinta-feira, 14 de maio de 2009

Armadilhas do Destino - Capítulo 7

Capítulo 7

Aquilo parecia um pesadelo. O passado vem a tona e deixa Edith abalada. Ela pede para que eles entrem. Julio se assusta ao ver Guilherme. Helena e ele se afastam. Edith puxa Julio para um lado. Queria falar a sós com seu mordomo.
_Ele não é o seu ex-capataz?
_Sim, ele é. Ninguém pode saber de nada, entendeu?
_Que coisa incrível, pensei que ele estivesse trabalhando para a senhora na Fazenda Decresson, próximo a Goiânia.
_Não, ele não está. Prometa que vai manter segredo.
_Prometo.
Edith se afasta e vai se juntar aos noivos. O que mais a preocupava era o fato de seu coração dar sinais de que ainda o amava. Seu sorriso era forçado, mas tinha que manter as aparências.
Helena se aproxima dela.
_Então, mamãe. O que achou dele?
_Um rapaz muito bonito.
_vem aqui, amor _diz Helena pegando a mão dele e fazendo-o aproximar das duas. Ele para ao lado de Helena e a abraça.
_Nunca imaginei que Helena fosse uma Decresson. _diz Guilherme olhando para noiva.
_É, ela também nunca me falou sobre você. Fez questão de me esconder isso tudo até uma semana atrás, eu acho, não é minha filha? _Pergunta Edith sorrindo.
_Já pensamos em uma data _diz Helena.
_Para quando? _Pergunta Edith tentando se controlar. Quando um garçom passa, ela pega um copo de vinho.
_Para daqui a um mês. Estamos juntos há dois anos e não queremos adiar mais nada _diz Helena. Com carinho passa a mão no rosto de Guilherme. Os dois se beijam, deixando Edith completamente constrangida.
_Eu sugeri que fôssemos morar com a senhora, aqui na Casa Grande de Pingos de Ouro. É um lugar lindo, Helena adora e querendo ou não, ela vai começar a trabalhar na empresa assim que se formar. Não é mesmo, meu amor? _Pergunta Guilherme.
Edith tem vontade de voar no pescoço de Guilherme. Não sabia o que ele pretendia com aquilo, mas teria que descobrir.
_Sabe quem está aí? Justos _diz Edith para os dois.
_Eu quero conhecê-lo, meu amor. _diz Helena.
_Eu te apresento _diz Guilherme.
Eles se afastam e os olhos de Edith se enchem de lágrimas. Ela precisava ficar sozinha. Rever o homem que amou, era terrível. Pelo que estava sentindo, nada mudou e agora era pior. Ele estava com outra mulher e essa mulher era sua filha.

...

Helena e Guilherme se aproximam de Justos. Ele sorri e cumprimanta Justos com um longo abraço. Assim que eles se afastam, ele sorri para Helena.
_Então essa é a tão famosa Helena Silva, que depois, viemos a descobrir que era uma Decresson.
_Justos, que prazer em conhecê-lo, Guilherme fala tanto no senhor. _diz Helena sendo simpática.
_Não vamos começar com essa história de senhor. Para você é Justos. _diz Justos sério.
Guilherme estava com os dois, quando Edith passa próximo a eles como um foguete. Guilherme olha para Justos. Os dois sabiam que tinha chegado o momento em que os dois teriam que Ter uma conversa definitiva.
_Meu amor, está me dando vontade de ir ao banheiro. Pode fazer companhia ao Justos por mim? _Pergunta Guilherme sorrindo para a noiva.
_Claro, meu amor. _diz Helena.
Guilherme se afasta deixando os dois a sós.

...

No escritório...
Edith estava olhando a festa pela janela. Tinha se lembrado de tantas coisas, ao ver Guilherme novamente. Da rejeição dele em relação ao seu amor. Da surra que ele levou a mando dela e de como ele tinha prometido vingança. Um passado que gostaria de esquecer. Só que agora estava diante de si. Aquilo era terrível. Para ela, para seu orgulho.

...

Guilherme estava no corredor, quando cruza com Julio.
_Guilherme? É você?
Ele sorri, meio sem graça.
_Isso mesmo.
_Minha nossa senhora, quanto tempo.
_Isso mesmo. Fui contratado por dona Edith para ser capataz, mas não fiquei por muito tempo. Vim para o Rio, trabalhei como garçom e entrei para a Universidade Pública. E aqui estou eu. Uma coincidência incrível. Estou noivo de Helena.
_Incrível mesmo. Eu achei até que você e dona Edith...
_Posso pedir um favor a você?
_Claro, Guilherme.
_Não comente isso com ninguém. Ela me assediou no passado, deve Ter esquecido. Se Helena vier a saber, ela pode sofrer.
_Eu sei disso. Concordo.
_Por favor. Não conte nada a ninguém.
_Tranquilize-se, Guilherme, em breve você será meu patrão.
Guilherme se aproxima dele. Estende sua mão. Julio sorri. Eles se cumprimentam.
_Eu posso ser o marido da dona de tudo isso, mas o Guilherme será sempre aquele capataz, simples. Trabalhador, sincero e amigo. Eu sei o quanto você é importante para Helena. Muito obrigado por tudo.
Guilherme o abraça. Julio se emociona. Era um homem de bem, e sabia que sua menina tinha encontrado um bom homem para ficar o resto de sua vida.
_Agora preciso que me diga uma coisa.
_Claro, o que é?
_Preciso que me diga onde é o escritório. Preciso fazer uma ligação.
_Claro, é só seguiem em frente e virar a direita.
_Muito obrigado.

...

Helena estava conversando com Justos. É quando seu irmão se aproxima com Lucia.
_Helena, que bom que chegou _diz Felipe.
Ela abraça o irmão.
_Você está muito bonito. E essa moça tão bonita? _Pergunta Helena sorrindo para Lucia.
_O seu nome é Lucia. É minha namorada _diz Felipe, muito feliz.
Helena abraça a Lucia calorosamente. Hoje era um dia especial para ela. Era seu noivado, mas via que também era um dia especial na vida de Felipe.
_Lipe, ela é linda _diz Helena.
_Obrigado, você é que é a mais linda mulher nessa noite tão especial. Afinal, está noiva e vai se casar _diz Lucia feliz.
_Esse aqui é Justos, sócio de Guilherme _diz Helena apresentado-o a eles.
Lucia o beija e Felipe o cumprimenta.
_Quer dizer que teremos mais um noivado daqui há alguns anos? _pergunta Justos sorrindo para eles.
_Que nada, seu Justos. Ainda somos muito jovens. Com certeza quero me casar com Lucia, respeitando a tradição de seu povo. _diz Felipe.
_Você é de onde, Lucia? _Pergunta Helena curiosa.
_Sou grega. Nasci em Atenas. Já falava português, por que meu pai era brasileiro. Ele abandonou minha mãe então viemos para o Brasil _diz Lucia.
_Nossa, quando eu me casar, minha lua de mel vai ser em Atenas. Eu adoro a Grécia _diz Helena bebendo um gole de vinho.
_Tive o prazer de conhecer Atenas é realmente uma cidade linda _diz Justos.
_Onde está o noivo, Helena? Queria conhecê-lo _diz Felipe olhando para todos os lados.
_Ele foi ao banheiro. A viagem deve foi muito longa, então, deve estar apertado. Bom, Felipe vai fazer companhia a Justos e a Lucia. Vou a cozinha _diz Helena.
Helena deixa todos conversando e vai para a cozinha. Queria ver duas pessoas em especial.
...

Julio estava bebendo água, quando Laura chega.
_Como estão as coisas?
_Bem, meu amor. Jussara está onde?
_Foi ao banheiro. Disse para ela, para ser breve, pois dona Edith não gosta que atraze nada.
_É verdade. Dona Edith é muito perfeccionista.
_Como está o Marcio?
_Bem, meio enjoado. Ele gosta mesmo de andar de cavalo. Helena disse que ele podia andar, então ele o fez. Só que pegou muito Sol, e teve um princípio de insolação. Deve estar em casa, descansando.
_Esse menino.
_Eu estava passando para ver como estavam os pratos na mesa, e vi você conversando com um rapaz. Quem era?
_O noivo de Helena.
_Que moço bonito, não?
_Ele trabalhava como capataz na Fazenda Decresson, próximo a Goiânia. Dona Edith deu encima dele. Eu vi, com esses olhos que a terra há de comer.
Laura se assusta com aquela revelação.
_Minha nossa senhora. Coitado do patrão.
_Coitado mesmo, em Ter uma mulher como essa. Se bem que ela mudou muito, não, Laura?
_Mudou sim, ficou mais insuportável. Eu estava ao lado dela, quando eu a peguei fuzilando a namoradinha do Felipe.
_É mesmo, Julio. Tudo essa mulher implica.
_Ela implica com pobre, meu amor. Se fosse uma menina rica, com certeza ela deixava o rapaz em paz. Você a viu?
_Sim, ao entrar e ajudar um garçom que estava perdido eu a vi com Felipe. Ela é linda, não é?
_Nossos meninos fizeram escolhas maravilhosas, mas vão enfrentar problemas com a mãe que eles tem.
_Estaremos aqui para ajudar, meu amor, fique tranquilo. Eu prometi ao meu patrão. Iria estar junto de Helena e Felipe, na ausência do pai deles.
_É mesmo, um homem tão bom, tão respeitável. Casar com uma mulher dessas. Deus me livre. Edith Decresson é o diabo em pessoa.
Julio olha para a esposa e vê que ela tinha razão. Um dia ela pagaria caro pelas suas maldades.
_Um dia as pessoas pagam pelo que fazem as outras. É só esperar.
A porta da Cozinha se abre. Era Helena. Ela corre em direção aos dois. Abraça Julio, com carinho. Depois abraça Laura.
_estavamos falando de você. Estávamos com saudades _diz Julio sorrindo. Seus olhos se enchem de lágrimas.
_Assim não vale, vão me fazer chorar _diz Helena sorrindo para eles.
_Minha querida, você está radiante. Além de linda também _diz Laura olhando para ela.
Helena dá uma rodada e sorri.
_Daqui a pouco trago meu noivo para vocês conhecerem. Eu queria mesmo falar com você, Julio. Eu queria muito que você me levasse ao altar, mas não queria que minha mãe se intrometesse ou o humilhasse, ou algo parecido. Então escolhi meu irmão para me levar ao altar. Vocês sabem muito bem a mãe que eu tenho. _diz Helena olhando para eles.
_Eu sei. Só que eu acho que seu irmão merece, minha querida. Ele é tão seu amigo, ele te protege tanto _diz Julio passando a mão nos cabelos dourados de Helena.
_Felipe ficou muito emocionado _diz Helena.
_Como não ficaria. Ele vai estar no lugar de uma pessoa muito, mas muito especial. Seu pai foi um homem digno. Sentimos muita falta dele _diz Laura.
_Eu sei. Vai ser tão feliz e tão triste esse dia. Eu me casar e não tê-lo ao meu lado. As coisas poderiam ser diferente, não é mesmo? _Pergunta Helena.
_Sim, poderiam, mas não são. Temos que saber que a realidade é outra. Sua mãe é uma patroa educada, as vezes está nervosa, mas sempre nos deu de tudo. Não podemos reclamar _diz Laura olhando para ela.
_É verdade _diz Julio.
_Minha mãe não gosta de pessoas pobres. Ela os acha uma ameaça. Fez ressalvas ao meu noivo, disse que ele estava interessado pelo meu dinheiro. Eu o escondi o máximo possível, para que ele não passasse pela humilhação de Ter sua vida investigada. Vocês se lembram. Todos os meus namorados. Ela colocava detetives, para saber com quem eu estava lidando. Quando Guilherme e eu começamos namorar, sempre procurei escondê-lo. Consegui, graças a Deus. _diz Helena séria.
_Minha querida, é a maneira dela de dizer que a ama e que se preocupa _diz Laura.
Helena sorri para Laura.
_Ela sempre amou mais Felipe. Isso é evidente. Não é a toa que me afastou do convívio dele por tanto tempo _diz Helena.
_Isso é passado, nada de ficar triste. Hoje é o jantar de seu noivado e ela se empenhou ao máximo. Isso honra seja feita, não é verdade Julio? _Pergunta Laura.
_É verdade. Ela mesma escolheu todos os ingredientes. Ela veio supervisionar tudo nos mínimos detalhes. Escolheu os garfos, as facas, a louça especial. Disse que seria um jantar para as pessoas que viessem jamais esquecer. _diz Julio.
_Ela ama você querida, acredite. Sua mãe foi uma mulher muito maltratada pela vida. Você deve saber disso mais do que eu _diz Laura.
_Eu sei disso, difícil acreditar nisso tudo que vocês me falam, mas eu preciso acreditar que ela nutra algum sentimento por mim. Bem, tenho que voltar, meus convidados estão me esperando. _diz Helena.
_Vá aproveitar sua noite. _Diz Julio.
Os dois a beijam. Ela sai da Cozinha.

...

Carlos Alberto Montenegro conversava com sua esposa.
_Edith caprichou, não?
_Só não estou gostando do atraso.
_Agnes, é de prache atrasar um pouco.
_Eu sei, meu amor, mas assim. Os noivos já chegaram.
_Você o viu?
_Sim. Helena tem bom gosto. É um homem muito bonito.
_Agnes, vou ficar com ciúmes.
Ela abraça o esposo.
_Você é muito bobo. Eu acho que seu cargo na Prefeitura está fazendo você ficar meio bobo. Nunca dei motivos para que você tivesse ciúmes de mim.
_Eu sei disso. Estou só brincando.
_Você sondou como eu pedi? Ele é rico?
_Não, ele tem trabalho, ainda não está formado. Estuda com Helena, mas tem sociedade com aquele senhor simpático ali, conversando com Felipe. Além de Ter uma empresa de importação e exportação chamada GS Wind.
_Dizem que ele é o melhor aluno do Curso de Administração da UFRJ, é verdade?
_Ele tem boas notas. Destaca-se por falar bem, e provavelmente dever ser o orador em sua turma.
_Minha querida esposa está por dentro de tudo, não é mesmo?
_Sim, você me pediu e eu fiz.
_Estive ontem com Edith e ela quer colocar uma pessoa para concorrer as eleições ano que vem. Quer que essa pessoa seja Prefeito de Montes Claros. Quem deve ser?
_Sabe como Edith Decresson é. Gosta de fazer segredos.
O Prefeito e a Primeira Dama da cidade de Montes Claros continuavam juntos, conversando amenidades.

...

Helena atravessa o corredor e vê Guilherme na sala de estar. Estava olhando o grande quadro, de seu pai e sua mãe. Era uma tela pintada a óleo, que seu pai mandou fazer, assim que casaram. Ele disse que o amor deles, nesse quadro, estaria preservado para sempre.
Ela o abraça por trás.
_Todos estavam te procurando.
_Lindo quadro, aquele com sua mãe é seu pai?
_Sim, é. Eles mandaram pintar essa tela assim que casaram. Repare como eles estavam felizes. Eu quando era criança achava que eles eram perfeitos. Um para o outro. Estava enganada.
_Por que diz isso?
_Por que ela não o amava.
_Você nunca me contou nada de sua família.
_Eles se casaram, logo eu nasci. Depois veio o Felipe. Só que minha mãe nunca amou meu pai. E ele era uma pessoa muito querida. Um homem capaz de ajudar a todos sem pedir nada em troca.
_Você amava muito seu pai, não?
_Muito. Infelizmente um acidente de carro acabou com sua vida. Só que algo já o matava, há muito tempo.
_Como assim?
_Posso te contar um segredo de família?
_Se você achar que confia em mim o suficiente. Se você quiser que eu seja de sua família. Se você quiser construir uma família comigo.
_Meu pai descobriu que minha mãe tinha um caso com outro homem. Nossa, ele quase morreu. Para ele, era Deus no céu e Edith Decresson na terra. Ele a enchia de beijos, era carinhoso, era um homem que a maioria das mulheres dessa cidade gostariam de Ter ao seu lado. Só a minha mãe é que não soube aproveitar isso. Ela se apaixonou por um capataz aqui da Fazenda. Os dois começaram a Ter um caso. Foi um escândalo que ele não fez questão de esconder.
_Difícil acreditar nisso. Um homem que assuma isso.
_Ele era assim. Suas atitudes eram extremas. Não sei bem direito o que houve, mas ele induziu o amante dela a se matar. Na frente deles. Segundo minha querida mãe, ela viu tudo. Depois, ele mandou matar a família dele. Com certeza, disso eu não me orgulho. Eu preferia que ele a matasse. E ao amante. Não uma família inteira.
_Que história complicada.
_Uma senhora história. Ele a espancou até a morte. Ela disse que nos mataria, se ele se descuidasse. Estava com muito ódio dele. Foi afastada do convívio social. Foi nesse momento que eu percebi que ele não tinha mais vontade de viver.
Guilherme a abraça com amor.
_Eu amo você e isso nunca vai acontecer com a gente.
_Eu acredito nesse amor entre duas pessoas, Gui, mas acredito também que um dia ele possa acabar. O que precisa ser feito é um ser honesto com o outro se isso acontecer. Minha mãe não foi honesta com meu pai. Por isso...
_Você não a perdoa.
_É. Quando ele morreu meu chão desapareceu. Quando ela chegou para me contar, eu tinha apenas oito anos. Ela me contou e me obrigou a dar um abraço nela. Nossa, quer me ver louca, não me obrigue a nada. Eu não quis e ela me deu uma surra, nessa sala aqui. Quando ela percebeu que nunca nos entenderíamos, ela me mandou para um Colégio Interno na Suiça. No fundo foi bom, mas fiquei com muitas saudades de meu irmão. Nos falávamos todos os dias. Mandava cartas, postais. Somos muito unidos.
_Isso é muito bom.
_Você foi ao banheiro?
_Fui, estava meio perdido, mas seu mordomo me ajudou.
_Julio é como se fosse um pai para mim.
_Vai ser ele que vai levá-la para o altar?
_Não, minha mãe jamais permitiria.
_Sua mãe deve ser uma pessoa difícil.
_É. Felipe faz um esforço muito grande para que eu e ela nos entendamos. Só que quando a gente vê, já batemos de frente.
_Quando um não quer, dois não brigam.
_Eu sei disso. Ainda bem que eu mantive segredo de você para ela.
_Por que? Você acha que ela iria tentar impedir seu casamento.
_Se eu fosse menor, sim, mas agora ela não pode fazer nada.
_Por que ela não iria consentir nosso casamento?
_Por que você não é rico.
Guilherme olha para Helena e sorri. Não estava acreditando que estava ouvindo aquilo.
_verdade?
_Minha mãe acredita que a gente, e isso o incluo Felipe, que nós tenhamos de nos casar com alguém de nosso nível social. Ela acha a pessoa pobre uma ameaça. Alguém que só queira se aproximar de mim e dele por dinheiro.
_Isso é uma mentalidade do século passado.
_É verdade. Por isso, ela iria investigar sua vida por completo. Colocaria detetives atrás de você, como fez com a maioria de meus ex-namorados.
_O que o dinheiro não faz, não é?
_Dona Edith é um saco com isso. Não sei como ela ainda não implicou com a Lucia, a namorada de meu irmão. Ela não pertence a uma família tradicional.
_É, terei que cortar um dobrado para provar a sua mãe que amo a filha dela.
Helena sorri.
_Vamos lá para fora?
_Não, ainda quero ficar aqui, olhando a foto de seus pais, imaginando ser nós dois. Pode ser?
_Não demore. Por favor. Felipe quer te conhecer.
_Tudo bem.
Helena sai da sala e vai para o lado de fora. O jantar seria servido no pátio, onde os convidados estavam.

...

No escritório...
Edith andava de um lado para o outro. Pensava em como a vida lhe pregou uma peça. Quando de repente a porta do escritório se abre. Guilherme entra e fecha a porta.
Os dois se olham. Guilherme sorri para ela. Não é segredo para Guilherme, que ela adorava seu sorriso. Sabia que ele fazia de propósito.
_Como esse mundo é pequeno, não é? Edith Decresson?
Edith engole a seco as palavras de Guilherme.
_Você veio acabar comigo, destruir a minha família. E escolheu minha filha para fazer isso. Como pode envolver inocentes numa guerra somente nossa? _Diz Edith com os olhos cheios de lágrimas.
Ele se aproxima da mesa central do Escritório.
_Não é minha intensão destruir você. Nem sua filha. Até por que nunca soube que ela era uma Decresson.
_Isso é mentira _ Berra Edith. Ele vê lágrimas cairem de seus olhos. Vê-la daquela maneira o deixava feliz.
_Não sou mentiroso. Não invento roubos para incriminar funcionários inocentes. _Berra Guilherme dando um murro na mesa.
_Você quer me destruir. Tenho certeza disso.
_Destruir a mãe da mulher que eu amo, isso é loucura.
_Vai me dizer que só se aproximou de Helena por amá-la. Que não tem nenhuma intensão de me destruir? Vai me fazer acreditar nisso?
_Eu não me chamo Edith Decresson. _Berra Guilherme.
Ela enxuga suas lágrimas, mas elas teimavam em cair.
_Você me odeia, não é?
_Como todas as minhas forças. Eu esperei dez anos para ver você de novo. Só que dessa vez estou bem diferente daquele Guilherme que você humilhou.
_Você não me perdôou, não é?
_Não. Só que eu não precisei fazer nada contra você. Simplesmente a vida deu uma volta e me fez ser o futuro marido de sua filha e isso você não pode mudar. _diz Guilherme sorrindo.
_Esse casamento não se realizará.
Ele sorri novamente.
_Por que?
_Jamais admitirei que uma Decresson se misture ao seu sangue ruím.
_Você não quer que eu me case por que meu sangue é ruím? Ou por que ainda me ama?
Guilherme sorri para ela. Edith respira fundo. Era uma pergunta difícil de responder.

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