Capítulo 6
Guilherme se afasta de Helena. Ela olha a revista e não acredita no que vê.
_Você raramente compra essa revista. Nem sabia que iriam tirar foto.
_Por que não explica por que me escondeu isso?
Helena pega seu noivo pela mão e o leva para o sofá. Os dois se sentam.
_Eu ia te contar. Sempre que tentava, acontecia alguma coisa e eu acabava não contando. Sou uma pessoa simples, Gui. Eu vim para cá e quis ficar no alojamento. Minha mãe queria me dar um apartamento. Para que eu ficasse sozinha, mas gostaria que as pessoas me vissem como a Helena Silva, uma moça simples, que gosta das mesmas coisas que os outros. Uma vez minha mãe me falou que o nosso nome abre portas. Ser uma Decresson é um privilégio, mas eu gostaria de conquistar as coisas pela minha capacidade.
Ele sorri para ela.
_Prefiro acreditar que você me omitiu essa informação.
_Não está com raiva de mim?
_Como vou Ter raiva de você? Se eu quero que você seja a mãe de meus filhos. Quero envelhecer ao seu lado.
Ela o abraça e os dois ficam ali, sozinhos, abraçados.
_Você não sabe da maior? _Diz Guilherme quebrando o silêncio.
_O que?
_Eu menti para você também. Quer dizer, omiti uma informação, prefiro falar assim.
Ela estranha aquilo que seu noivo tinha acabado de falar.
_ Como assim?
_Sempre disse para você que fui garçom. No início até fui, mas no começo da Faculdade. Tenho uma Fazenda, com um amigo chamado Justos. Fui trabalhar com ele e juntos conseguimos salvar sua Fazenda da falência. Usei meus estudos na Fazenda, tive algumas idéias e tudo prosperou muito. Hoje é como se ela fosse uma microempresa. Com o dinheiro comprei uma sala no Centro da cidade do Rio de Janeiro e abri uma microempresa. Hoje já tenho cinco espalhadas pelo Brasil. Empresas de Importação e Exportação. A GS Wind.
Helena olha para ele assustada.
_A GS Wind é uma empresa conceituada no Brasil. É pequena, eu sei, sabe fazer negócios, sabe prosperar. Inclusive minha mãe fez negócios com eles. Foi até um tal de Rafael que fechou um contrato da compra de brindes especiais para um jantar que minha mãe fez a um ano atrás eu acho. Eu achei que ele era o chefe.
Guilherme sorri para ela.
_Ele é o meu testa de ferro. Vou preferir assumir tudo depois de me formar. Não sei se a Toda Poderosa Edith Decresson fecharia um negócio com um simples estudante de Administração. O Rafael já é formado. Então...
_Tudo bem. Eu sempre achei que garçom nunca ia poder bancar esse apartamento. Ele não é grande, mas tem que Ter um salário razoável. Só que eu sempre respeitei o seu espaço e por isso resolvi não me intrometer.
_Omissões a parte, agora é se preparar para o grande dia.
_A apresentação do meu noivo para a minha família, é isso?
_Exatamente.
_Primeiro eu quero fazer algo ali no quarto, de preferência sem roupa, por que eu estou a três dias sem sentir você na minha pele, então...
_Sim senhora, vou tirar a minha roupa. _diz Guilherme sorrindo.
Os dois se abraçam forte. Começam a tirar a roupa e vão para cama. Guilherme a olha com amor e a leva para cama. Começam a fazer amor como nunca fizeram antes.
...
Montes Claros...
Melissa abre a porta do gabinete de Edith.
_Aqui estão os relatórios que a senhora me pediu.
_Muito obrigada. Pode ir Melissa, vou sair para comprar as coisas para o jantar, aqui no Supermercado mesmo. Então, eu fecho a porta.
_Sim senhora.
Antes de sair, Melissa vira-se para a patroa.
_Dona Edith?
_Sim.
_Eu acho tão estranho ver a senhora fazer compras. Por que não manda um de seus empregados fazer isso?
Edith sorri. Guarda suas coisas dentro de sua bolsa.
_Gosto de escolher tudo. Daqui a três dias vamos fazer um jantar para Helena. Ela vai apresentar o seu noivo, então tudo tem que estar perfeito. Um jantar perfeito para Edith Decresson significa escolher as melhores coisas, os melhores pratos. Isso é meu, cara Melissa. Não gosto que ninguém faça isso.
_Sim senhora. Então, boa tarde.
_Boa tarde.
Edith pega suas coisas, desliga as luzes e fecha seu gabinete. Desce de elevador para o primeiro andar. De dentro da bolsa e tira um bloco com tudo o que ela queria para levar para casa e fazer o jantar de Helena algo inesquecível.
Naquele momento, ela para diante da seleta prateleira de vinhos que seu Supermercado tinha. Todos muito bem arrumados, os preços estavam em cada produto. Era uma ordem sua para que o cliente jamais reclamasse de algo dentro de seu supermercado.
Uma senhora e uma menina de mais ou menos quatorze anos (ela supunha) passam por ela, e a menina esbarra numa garrafa de vinho, que cai e quebra. A senhora se assusta. A menina não se machuca. Edith vê tudo.
Nesse momento, um rapaz que trabalha no seu Supermercado se aproxima.
_Vocês não viram não a garrafa? _Pergunta o rapaz sendo extremamente deselegante.
_Mil desculpas. Eu vou pagar _diz a senhora assustada.
_Imagine se meu supervisor vê isso, ele me mata. É um vinho caro de sessenta reais _diz o rapaz abalado.
A bela menina começa a chorar.
_Mãe, a senhora vai pagar isso e não teremos como comprar comida. Ainda não trabalho e nem você. Chegamos da Grécia há uma semana _diz a menina, chorando.
_Minha nossa senhora, ainda são pé rapadas _diz o rapaz ainda sendo muito grosseiro.
Edith não agüenta ver aquilo.
_Rapaz, você não viu que elas estão passando necessidade? _pergunta Edith. Séria.
O rapaz olha para ela e não a reconhece. Era novo no emprego.
_Detesto gente que gosta de se meter nas coisas? Quem pediu a sua opinião? _pergunta o rapaz olhando para Edith.
_O que foi que você me disse? Que não pediu a minha opinião? Era só o que faltava você falar assim comigo _diz Edith indignada.
_Olha aqui, tenho trabalho demais para ficar ouvindo um bando de asneiras de alguém que se acha como a senhora. Vou levar essas duas para o caixa e elas vão pagar pelo prejuízo que deram ao supermercado. _diz o rapaz agarrando o braço das duas.
Naquele exato momento, um supervisor se aproxima. A briga chama a atenção de curiosos.
_O que está acontecendo aqui? _pergunta o supervisor. Ao olhar para Edith Decresson, o supervisor fica branco.
_A pobre menina esbarrou nessa garrafa de vinho e o deixou cair. Esse rapaz, que aparentemente trabalha para nós foi de uma estupidez ímpar com ela e sua mãe. E realmente ele foi extremamente grosseiro comigo, me desfeiteando _diz Edith séria.
_Minha nossa senhora, Kiko, essa é a dona do Grupo Decresson. _diz o supervisor abalado.
Ele não acredita no que houve.
_Minha nossa senhora, mil desculpas _diz Kiko.
_Passe no Departamento Pessoal. Os dois. Não é assim que eu treino minha equipe para atender um cliente estupidamente como você fez. Se ele é assim, meu caro supervisor, acredito que o treinamento dado a ele, pelo senhor, não está bom. Portanto, os dois estão demitidos. _diz Edith sendo rigorosa na punição aos dois.
Os dois tiram o chapéu do Supermercado. Caminham para o elevador que dava para o Departamento Pessoal.
As pessoas aplaudem Edith Decresson e sua posição rigorosa para punir dentro de seu estabelecimento, um cliente que é maltratado por um funcionário seu.
_Vamos lá ao caixa. O prejuízo fica por minha conta. Gostaria muito que viesse ver se existe um lugar para a senhora trabalhar aqui. Realmente não gosto de ver uma pessoa chegar a essa cidade linda e não ser bem recebida _diz Edith sorrindo para as duas.
_Meu nome é Lucia, muito obrigada, senhora _diz Lucia agradecendo.
_O meu é Sara Plonoskas _diz Sara.
Edith leva as duas e paga o prejuízo e ainda faz compra para as duas. Assim que termina suas compras, ela vai para casa.
...
No dia do jantar para Helena e seu noivo...
Edith vê que o tão esperado dia chega. Ela acorda, toma um banho quente de banheira com suas ervas prediletas. Tinha que se preparar para o dia cansativo. Dar ordens na cozinha. Ficar encima dos empregados, cuidar de cada arranjo de flores em sua casa.
Alguém bate na porta de Edith. No banheiro, ela não escuta. Então ela se abre. Era Felipe. Ele percebe que sua mãe estava tomando banho. Aproxima-se do console ao lado da cama dela. Vê a foto dos dois abraçados. Ao lado, uma foto dela e Helena, abraçadas. Percebe que sua irmã estava fazendo aquilo forçado, sem vontade.
Ele se senta na cama e fica olhando para tudo. Lembra de suas brincadeiras, de seu pai lhe pegando no colo, até lembra dos pais felizes. O passado estava presente naquele quarto, naquela casa.
Sua atenção é despertada quando sua mãe abre a porta do banheiro. Ao vê-lo seu rosto se ilumina. Não podia esconder, era seu filho predileto.
_Meu amor, veio ver sua mãe, que bom.
Ela se aproxima, senta-se ao seu lado e sorri. Era impressionante como olhar para Felipe lhe trazia tanta felicidade. Com carinho passa a mão em seu rosto e o beija carinhosamente. Ele retribui o beijo.
_Você está feliz?
Ela se levanta, enxuga os cabelos e entra em seu closet.
_Não. Gostaria que minha filha estivesse se casando com alguém de sua estirpe.
_O amor para você não conta, não é mamãe?
Ela olha para seu filho, sério.
_O amor não enche a barriga de ninguém. Helena Decresson faz parte de uma das famílias mais tradicionais da sociedade brasileira. O correto era ela ter um marido a sua altura. E não um estanho, que deve ter tanto dinheiro quanto um caixa de supermercado.
_Você quer que ela repita o mesmo erro que você? Que casou sem amar meu pai.
Edith encara seu filho sério. Ela escolhe uma roupa e coloca sobre a cama.
_Não me julgue, Felipe. Você nunca soube o que é ter fome na vida. Vir de uma família miserável. Viver num lugar horroroso chamado Bentes. Eu acho que não é errado desejar para um filho o melhor.
_Não, mas também não é certo não amar uma pessoa e casar com ela. Pelo menos eu penso assim.
_Eu sei o que você pensa. Você pensa pequeno, meu filho. Você não pensa igual a dimensão de seu patrimônio. Você pode saber de uma coisa, vou estar atenta a todas as pessoas que se aproximarem, de você e de Helena. E acredite, jamais vão ser passados para trás e muito menos enganados. Helena não me deu tempo para poder investigar a fundo esse rapaz. Nem o nome dele ela me disse. Fiquei sabendo dias atrás. E isso me preocupa. Transferi para a conta dela dois milhões de dólares. Se ele tiver acesso a conta dela, pode lhe deixar sem nada. Tentar dar o golpe, fazer com que ela sofra. Isso me assusta muito.
_Eu sei, mãe, que é sua grande preocupação, mas temos que dar uma chance a essas pessoas para que se aproximem de nós.
_Elas sabem que vocês dois são cifras.
_Acha que elas não poderiam se aproximar de nós pelo que somos, só por nosso dinheiro? Nossa conta bancária?
_Acho. Por isso eu sempre estarei investigando a todos. Mesmo depois de vocês estarem casados. Por exemplo, para você. Amber Fitsleenguer é uma mulher doce, linda e muito, mas muito rica.
_E muito fútil, mamãe, jamais ficarei com ela.
_Uma pena, meu filho. Seria a união de duas famílias tradicionais. Os Decresson e os Fitsleenguer. O Conglomerado de Supermercados Decresson e a Indústria de Laticínios Fitsleenguer. Um patrimônio e tanto.
_Tenho uma surpresa para você.
Edith olha para ele e sorri.
_Adoro surpresas.
_Hoje a noite, no jantar, vou lhe apresentar minha namorada. Ela tem quatorze anos, é grega, e é linda.
Aquilo pega sua mãe de surpresa. Ela se aproxima e olha para ele. Sente ciúmes. Perder seu filho para uma moça.
_Por mim você ficava embaixo de minhas asas e não se casava nunca.
_Mãe, não pode ser assim. Não é natural. Você não pensa em ser avó?
_Penso sim, vai ser uma felicidade. Se bem te conheço, ela não é rica, é?
_Não, mamãe, ela acabou de chegar na cidade. Nos conhecemos na missa há uma semana atrás. Acho que ela é a mulher da minha vida.
_Não é um pouco cedo demais para pensar assim não?
_Não. Você sempre soube que quando encontrasse a pessoa certa, eu me casaria com ela.
_Eu sei, você sempre me disse isso.
_Bem, vou deixar você se arrumar. Eu vou tomar um banho. Afinal, hoje vou conhecer o homem que vai levar minha irmã para o altar.
_Isso mesmo, não quero que você faça feio.
Felipe beija a mãe. Ao abrir a porta, lembra que tinha que falar mais um assunto.
_Mãe.
_Sim.
_Helena me fez um pedido muito especial.
Edith sorri para o filho.
_E qual seria esse pedido tão especial?
_Ela me pediu para que eu a levasse para o altar.
Aquilo faz com que Edith se emocione. Ela se aproxima e abraça o filho.
_Meu querido, que pedido lindo sua irmã fez para você.
_Você acha que mereço essa honra, de substituir meu pai e levar minha irmã para o altar?
_Claro. Você é um rapaz lindo, sincero. Tão amigo de sua irmã. Seu pai se orgulharia de você. Assim, não vale, vai me fazer chorar.
Felipe vê lágrimas nos olhos de sua mãe. Com carinho ele as enxuga.
_Por que você nunca amou meu pai? Nunca julguei você, mamãe, mas é difícil para mim saber que você nunca o amou.
Aquilo pega a matriarca dos Decresson de surpresa. Ela se afasta de Felipe e se aproxima da janela. Olha para o lado de fora. Edith tinha mil artimanhas para enganar e mentir para as pessoas. Só não sabia mentir para seu filho mais novo. Diferente dela, Felipe nasceu com um senso de ética muito grande.
_Infelizmente essas coisas acontecem e não tem explicação. Eu sei que eu cometi um erro, meu filho, que traí seu pai, mas eu me apaixonei por outro homem. Fazer o que? _diz Edith séria. Ela vira-se para o filho e o encara.
_É que eu nunca entendi como você não conseguiu amar papai, que era um homem maravilhoso, e o trocar por um capataz.
Ela se aproxima de Felipe e sorri.
_Coração não tem lógica. As coisas acontecem. Você ama seu pai, mas você há de convir que o que ele fez foi horrível. Ele matou uma família.
_Mãe, quando a gente ama, e vê a pessoa com outra, a dor é incontrolável e a pessoa enlouquece. Foi o que deve ter acontecido com meu pai.
_E isso é justificativa para matar uma família. Ele me espancou, ele me humilhou. Desculpa, meu filho, mas não se pode amar alguém assim.
_Se fosse eu, mãe, que visse você na cama com outro, eu a matava. Junto com o outro.
_Tudo bem, pelo que eu vejo serei a culpada sempre por tudo isso. Você precisa se arrumar, e eu também. Um dia a gente conversa sobre isso.
_Você tem razão.
Felipe fecha a porta, deixando Edith pensando sobre tudo o que os dois tinham conversado.
“Meu Deus, Kleber Decresson, até morto você me inferniza a vida. Meus dois filhos sempre serão a favor de você. Será que consigo mudar isso um dia?”.
Ela começa a arrumar seu estojo de maquiagem. Tinha que estar linda para o jantar de noivado de sua filha.
...
Rio de Janeiro...
Guilherme e Helena estavam abraçados, debaixo dos lençóis. Ele estava pensativo. Ela tinha adormecido. Ela tinha colocado sua cabeça no peito de seu noivo. Com carinho ele passa mão pelo seu cabelo com carinho.
_Dorminhoca, temos que nos arrumar. Hoje é o grande dia.
Helena olha para seu noivo e sorri. Ela o beija apaixonadamente. Ao olhar para o relógio se assusta.
_Minha nossa senhora. O jantar é daqui a cinco horas e eu ainda não me arrumei.
Ela se levanta e corre para o banheiro como uma bala. Ele se levanta, estava como veio ao mundo. Completamente nu. Sentia naturalidade em estar como veio ao mundo, quando estava com sua noiva. Aproxima-se do espelho e se olha. Ouve a mulher de sua vida abrir o chuveiro. Fazia apenas quatro dias que a tinha pedido em casamento. Sua felicidade era visível. Seus olhos brilhavam. Ele mesmo via isso pelo espelho.
Só havia algo que o preocupava. O reencontro com Edith Decresson. Ele sabia que possuía um segredo com aquela mulher que não poderia contar jamais para Helena. Não imaginava o sofrimento de Helena ao saber, que no passado, sua mãe fora apaixonada por ele. Um segredo desses acabaria com a felicidade dela.
Estava parado pensando em tantas coisas que a hora passa e ele nem percebe. Helena sai do banho, se enxuga e vai para o quarto e vê o noivo nu, se olhando no espelho. Estranha aquele comportamento.
_Eu sempre soube que você se achava bonito, mas assim, é o cúmulo do narcisismo.
Guilherme olha para ela e dá uma gostosa risada.
_Estou olhando para o que é seu._ Olha para o espelho, passa a mão pelo rosto, pelo peito, pelo abdômen perfeito _ Tudo isso é seu.
Helena se aproxima dele, abre a toalha e ele a vê, nua, também, como veio ao mundo.
_Esse corpo nunca foi de outro homem. Só foi seu.
Os dois se abraçam forte. Um olha com amor para o outro.
_Eu sei disso. Só que temos que nos arrumar, do jeito que eu já estou, vou querer fazer outra coisa.
_Faça comigo o que você quiser. Sou sua, morrerei sendo sua.
Com amor, Guilherme a carrega no colo e os dois se encaixam perfeitamente. Os beijos entre eles se tornam mais fortes, Helena sente Guilherme dentro dela e os dois se amam, ali, de pé. Os movimentos tornam-se mais fortes. Os dois gozam juntos, na sincronia perfeita do amor que um sentia pelo outro.
Ele a leva para o banheiro, ainda encaixados. Os dois ligam o chuveiro e deixam a água fria acalmar a paixão, o amor.
Os dois se ensaboam, com carinho. Ele passa a mão em cada parte do corpo dela. Ela passa a mão e cada parte do corpo dele. Os dois tomam banho juntos.
_Eu amo você mais do que tudo em minha vida. Você sabe disso, não sabe? _Pergunta Guilherme beijando a noiva, com amor.
_Eu sei. É por isso que eu vou me casar com você.
_Você é linda, é perfeita, é romântica.
_Você é tudo na minha vida. Quero ser a mãe de seus filhos.
_Teremos seis.
Helena ri. Ele também.
...
Helena estava pronta. Estava vestindo um lindo vestido preto. Até que Guilherme sai do banheiro, também arrumado. Helena estava impressionada com a beleza dele. Cabelos pretos, camisa vinho, relógio dourado, calça preta.
_Meu Deus, você está lindo, como nunca vi antes.
Guilherme olha para ela e fica vermelho.
_Assim me deixa sem graça. Você também está maravilhosa nesse vestido preto.
_Posso te fazer uma pergunta?
_Claro.
_Antes de fazermos amor, estava olhando para o espelho, pensativo. Em que estava pensando?
_Como vai ser quando estiver diante de sua mãe. Uma das mulheres mais poderosas desse país.
_Por isso não queria que você soubesse. Ela é uma mulher igual às outras, meu amor.
_Claro que não. Vai receber um prêmio como empresária do ano.
_Sem medos. Trate-a de igual para igual. Minha mãe gosta de pessoas que tem personalidade e isso eu sei que você tem demais.
_Eu sei. Isso me assusta, mas pelo menos posso comprar flores para ela?
Helena sorri.
_Claro. Só que eu é quem vou me casar com você, não ela. Outra coisa. Justos vai estar lá?
_Claro, ele quer conhecer você.
_Ele já deve estar lá. E os netos deles?
_Bem, não sei, eles não deram certeza.
_Então vamos. Temos que pegar o avião particular.
_Vamos, mas antes, vamos comprar flores.
_Isso mesmo.
...
Fazenda Pingos de Ouro...
A Noite...
Edith estava deslumbrante em seu vestido degradèe, do branco ao preto. Seu sapato combinava com o vestido. Estava na sala de jantar, dando os últimos retoques. Tinha chamado o Prefeito e sua esposa, para participar do jantar. Gostava sempre de pelo menos ter uma autoridade em seus eventos sociais.
Laura se aproxima da patroa. Via que ela estava linda.
_Seu Justos já chegou, dona Edith.
_Quem?
_Justos Barcelos. Deve ser o pai do noivo.
_Claro, tinha esquecido. Como está a comida?
_Como a senhora gosta.
_Muito bom. Tenho que agradecer a você. E a sua filha Alzira. Estão cada vez mais competentes. O menu está perfeito. As sobremesas também.
_Muito obrigada, dona Edith.
_Vou receber Justos.
Ela sai da sala de jantar e vai para a porta. Julio a abre e ela se depara com um senhor muito bem apessoado.
_Sou Edith Decresson. Deve ser o pai do noivo.
_Sou Justos Barcelos e não sou pai do noivo. Sou seu sócio. Os pais deles estão viajando pela Europa.
Aquela informação pega Edith desprevenida.
_Não sabia que o noivo de Helena tinha um sócio e muito menos tinha um negócio.
_Ele é o dono da GS Wind, empresa de Importação e Exportação.
_A empresa que cuidou dos brindes de um evento que eu fiz há um ano atrás?
_Exatamente. Acho que nem sua filha sabia disso. Já deve estar sabendo.
_Vamos entrar, seu Justos, por favor.
_Seu, dona Edith, assim fico parecendo que sou uma múmia dos tempos do faraó.
_Só tiro o seu, se você tirar a dona _Sorri Edith.
_Claro.
Os dois vão para a sala de estar. Eles se sentam no sofá. Um próximo ao outro.
_Isso para mim é uma surpresa. Eu me lembro que fiz negócios com o... qual é mesmo o nome dele?
_Rafael Medeiros.
_Isso mesmo.
_Esse é o testa de ferro dele. Na verdade ele ainda não é formado em administração. Ele achava que se ele tomasse a frente do negócio e a senhora descobrisse, não iria contratar a empresa dele.
_O senhor não é sócio dele nessa empresa?
_Nessa não. Somos sócios numa Fazenda no interior de Goiás, próximo a Goiânia. Uma fazenda muito próspera. Reitero o meu desejo que você, Dona Edith, não me chame mais de senhor. Eu me sinto muito velho assim.
Edith dá uma gostosa gargalhada. Via que Justos era uma pessoa muito agradável.
_Tudo bem, Justos, é que senhor e senhora costumam fazer parte do vocabulário das pessoas educadas.
_Eu sei, mais jamais duvidaria da educação de uma mulher tão bonita quanto a senhora.
_Muito obrigada pela parte que me toca.
O garçom oferece a eles vinho. Os dois pegam as taças fazem um brinde e começam a beber.
_Você fala de seu sócio com muita admiração, ele deve ser uma pessoa muito séria e confiável, além de competente.
_Sim, é, se não não entregaria a ele meu negócio, que é bem simples.
_Bom saber que ele tem um negócio. Bom saber que ele trabalha com alguém tão interessante como você. Achei que ele não trabalhava, só estudava.
Justos sorri para a poderosa mulher a sua frente.
_Ele é muito competente. É um homem que trabalha muito, pode Ter certeza.
_Eu imagino. Minha filha não me deu a chance de poder investigar a vida de seu noivo. Aliás, ela só me comunicou o seu noivado há uma semana atrás.
_De repente ela não gosta que você faça isso.
_É verdade. Nossa relação não é das melhores. Trabalho e viajo muito. Cuidar de um Conglomerado de Supermercados não é fácil.
Julio aproxima-se de Edith.
_Madame, o prefeito da cidade chegou com sua esposa _diz Julio, seu mordomo.
_Obrigado, Julio. Bem, Justos, fique a vontade pela casa. Vou receber alguns convidados.
_Sem problema algum, Edith.
Elegantemente ela se levanta e vai receber as autoridades de Montes Claros. Justos bebe seu vinho com calma.
...
Felipe desce as escadas. A campainha toca. Julio vai atender. Ele sorri para o mordomo.
_Como você está elegante, meu filho _diz Julio sorrindo para Felipe.
_Hoje vem uma pessoa especial me ver.
_Verdade? Uma namoradinha.
_Aí você está querendo saber demais, Julio.
_Vou atender a porta.
_Vá ajudar mamãe, eu abro.
_Tudo bem, patrãozinho.
Felipe o encara chateado.
_Sabe que não gosto de ser chamado desse jeito. Você é quase um pai para mim.
_Estou brincando.
Julio se afasta. Felipe abre a porta. Era Lucia, linda, em seu meigo vestido azul, combinando com seus olhos.
_Você está linda.
_Você também.
Com carinho ele pega sua mão e se aproxima dela, lhe dando um doce beijo no rosto. Edith estava conversando com o Prefeito e sua esposa, quando percebe a chegada da moça. Ela pede licença e se aproxima deles. Ela reconhece a bela menina.
_Conheço você.
_Boa noite dona Edith, está linda.
_Muito obrigada. Você está muito linda também.
_Mamãe, ela é a minha namorada. Nos conhecemos na igreja de Montes Claros.
_Que lindo, fazem um belo casal. Um pena que eu não posso conversar com vocês, tenho que receber outros convidados.
_Claro, não se preocupe comigo, vou ficar com Felipe.
_Tudo bem. O refrigerante já está sendo servido. Você, mocinho, nada de bebida alcoólica, tudo bem?
_Sim, mamãe.
Ela se afasta. Lucia via que ela era uma mulher de muita classe.
_Sua mãe é linda.
_É, ela sabe se vestir. Sabe como receber, está acostumada.
_Ela defendeu a gente no Supermercado de um funcionário que foi extremamente grosseiro conosco.
_Verdade. Fico feliz que tudo tenha começado bem entre vocês.
_Será que ela não vai se importar que você goste de uma menina pobre como eu?
_Que nada. Vamos aproveitar a festa. Quer comer alguma coisa?
_Se você for junto.
Os dois dão as mãos. De longe, Edith os observa. Um garçom passa por ela e ela pega uma taça de vinho. Julio percebe a seriedade da patroa, se aproxima e pergunta se ela estava precisando de alguma coisa.
_A senhora está precisando de alguma coisa?
_De um revólver.
Julio não entende o comentário.
_Como?
_De um revólver, para matar aquela morta de fome que está junto de meu filho. Uma menina linda como a Amber, filha de um industrial alemão, e ele se envolve com essa greguinha se eira nem beira. Deus me livre. Infelizmente meus filhos são tão simplórios. Preferem a plebe do que a realeza. Que mal eu fiz para receber um castigo desses.
_Calma, dona Edith, de repente ela é uma boa pessoa.
_Pode ser, mas é pobre e eu tenho alergia a gente pobre. Infelizmente meus filhos não sairam a mim.
Ela entrega a taça a Julio e se afasta. Tenta sorrir ao máximo possível.
...
O Prefeito estava com Edith. Via que estava tudo muito impecável.
_Você é uma anfitriã de primeira.
_Que bom que está gostando, Prefeito.
_E os noivos?
Edith olha seu relógio e vê que já estava na hora deles chegarem.
_Estão atrasados.
_É normal. Como está seu coração ao casar sua filha mais velha?
_Bem, tenho que aceitar. Esses meus filhos gostam de gente pobre...
_Você que tinha preparado eles para casamentos com famílias poderosas, e agora...
_Fazer o que.
_Acalme-se, tudo vai dar certo. Helena e o noivo devem estar chegando.
_É que detesto atrasos. Isso é uma tremenda falta de educação e parece que o brasileiro gosta disso. Ninguém é pontual. Sempre todos se atrasam. É por isso que vivemos num país atrasado.
_Com certeza.
A campainha toca. Edith olha para Julio e pede para que ele atenda. Ele se aproxima da porta, olha pelo olho mágico e vê Helena. Como combinado, Edith abriria a porta para os noivos. Julio balança a cabeça positivamente, informando que eles tinham chegado.
_Prefeito, com licença.
_Toda.
Ela se afasta do Prefeito de Montes Claros e se aproxima da porta. Ao abrir, vê sua filha num lindo vestido preto. Estava maravilhosa.
_Mãe, aqui estamos nós.
Edith a abraça. Com carinho, beija a filha no rosto. O noivo estava ao lado dela, de costas. Ao se virar, trazia um buquê de rosas.
_Esse deve ser o felizardo.
_Sim, mamãe, o nome dele é Guilherme.
Assim que ela se afasta da filha olha para o rapaz. E o que vê a assusta brutalmente. Guilherme pega sua mão e gentilmente a beija. Edith fica pálida.
_Como vai dona Edith? Está radiante hoje. _diz Guilherme sorrindo. Ele lhe entrega as flores. Ela recebe, sem acreditar no que estava vendo.
Não podia acreditar naquilo. O noivo de sua filha era o seu ex-capataz. Estava mais velho, mais bonito e muito bem arrumado. De repente, sente um frio na barriga. Seu coração acelera. Tem que se controlar para não desmaiar.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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