quinta-feira, 14 de maio de 2009

Armadilhas do Destino - Capítulo 3

Capítulo 3

Dois meses depois...
Edith assume o Império Decresson. Resolve dar uma virada em sua vida e vai para a Fazenda Decresson, em Goiânia. Sem avisar nada, chega de carro, surpreendendo a todos.
Estaciona seu carro e entra na Casa Grande. Seu mordomo, José, se surpreende.
_Dona Edith, que surpresa _diz José aparecendo na sala.
Ela o encara séria.
_Não pago você para ser pego de surpresa. Sou eu quem devo me surpreender. Tudo uma bagunça, impressionante. Dois meses se passam e veja só, olhe o estado desses móveis. Onde está os empregados dessa casa? _Berra Edith indignada.
José manda chamar a todos. Fazem uma fila e ficam parados, um ao lado do outro, quietos, assustado. Duas cozinheiras, dois mordomos, duas passadeiras.
_Desculpe-me, dona Edith, não sabia que viria para cá, fomos pegos de surpresa. _diz A Cozinheira assustada.
_Cale-se, sua infeliz. Agora quem fala aqui sou eu. São muito bem pagos para fazer o que eu quiser. Esse imprestável desse mordomo não chega aos pés do Julio, meu mordomo em Montes Claros. Vim aqui resolver alguns problemas, dar ordens, colocar os pontos nos is. _diz Edith caminhando diante deles.
Todos estavam de cabeça baixa. Um dos mordomos olhava para frente. Ela se aproxima dele e o observa nos mínimos detalhes. Estava limpo, asseado, como ela gostava. Não que os outros não estivessem, mas ele tinha algo que a agradava. Não sabia explicar o que.
_Qual o seu nome? _Pergunta Edith
_Marco.
Ela gosta de sua resposta. Simples, curta e grossa.
_A partir de hoje você é o mordomo principal. Aqui na Casa Grande da Fazenda você é meus olhos e ouvidos. Nada vai passar sem que eu saiba. Se isso vier a acontecer, vou demitir você sumariamente. Estamos entendido? _Pergunta Edith.
_Sim senhora _diz Marco feliz com o que sua patroa tinha acabado de falar.
_Dona Edith, seu Kleber me nomeou mordomo principal, eu... _E José é interrompido por Edith.
_Eu falei com você, seu verme? Recolha-se a sua insignificância. Entenda definitivamente. Kleber Decresson está morto e enterrado. Hoje, quem manda em tudo isso aqui sou eu. Vá para o meu escritório. Seus serviços não são mais bem vindos por aqui. Detesto ser questionada. _diz Edith olhando para José.
Os olhos de velho mordomo se enchem de lágrimas. Sem dizer uma palavra, ele vai para o escritório.
_A senhora poderia deixar seu cardápio para que possamos nos adequar ao seu gosto. _diz uma das cozinheira olhando para Edith.
Ela se aproxima da moça. Sorri.
_Quem lhe pediu a opinião? _Pergunta Edith.
_Senhora, temos que nos adequar a sua vontade _diz a Cozinheira.
_Como é o seu nome? _Pergunta Edith.
_Sheila _diz a Cozinheira.
_Bom Sheila, seu primeiro teste de fogo será hoje na hora do almoço. Eu quero que me surpreenda, por que se não, vai se arrepender de Ter nascido. Não vai cozinhar mais em nenhum lugar deste país, nem mesmo nos botecos sujos da favela onde você mora, estamos entendido? _Pergunta Edith sorrindo para ela.
Sheila fica muito assustada com a ameaça da patroa. Ela não estava brincando.
_Vou dar uma volta pela fazenda. Marco, contrate um segundo mordomo para ajudá-lo a servir no almoço, jantar, essas coisas.
_Sim senhora _diz Marco
_ Outra coisa, Eu quero uma faxina inteira nessa casa. Vou sair pela Fazenda. Quando voltar, se eu passar o dedo pelos móveis e constatar que há poeira ou sujeira sobre eles, não vão gostar da atitude que terei ao perceber que não fizeram o que eu pedi. Estamos entendido? _pergunta Edith.
_Sim senhora _dizem todos em uma só voz.
Edith pega sua bolsa e joga sobre uma das empregadas.
_Coloque minha bolsa no meu quarto. Dentro do meu closet. Se eu pegar essa bolsa em qualquer outro lugar, vai desejar não Ter nascido _diz Edith encarando a empregada.
_Sim senhora _diz a empregada, que sobe correndo as escadas para fazer o que a patroa tinha pedido.
Edith sai da Casa Grande observa o jardim muito bem cuidado. Olha a Fazenda. Via que ela estava muito arrumada, tudo bem asseado e limpo. Com certeza uma de suas boas contratações era o capataz Guilherme. Gostaria de saber onde ele estava neste momento. Vai ao Celeiro, vê os cavalos, o campo. Tudo estava muito arrumado. Sabia perfeitamente que tinha dedo de Guilherme em tudo. Caminha em direção a casa reservada para o Capataz.
Pelo horário ele deveria estar em casa. Abre a porta sem bater. Na sua Fazenda, não tinha a necessidade de fazer isso. Entra e vê a pequena sala arrumada. Lentamente olha tudo nos mínimos detalhes e percebe que tudo estava muito bem arrumado. Para diante da foto de Guilherme, montado num cavalo. Via como ele era extremamente bonito. Não sabia o que estava acontecendo com seu coração, mas ela estava completamente apaixonada por ele.
Ao entrar em seu quarto, percebe que Guilherme estava deitado, sem camisa. O ventilador estava ligado. Estava muito calor. Seu chapéu estava em sua escrivaninha. Com certeza tinha aproveitado para descansar, assim que terminou seu serviço.
Edith se aproxima da escrivaninha e pega o chapéu dele. Ela sente o cheio de Guilherme e fecha os olhos. Em silêncio, sem fazer barulho, senta-se ao seu lado na cama e o observa. Como era bom ver aquele homem, maravilhoso, trabalhador, simples, ali, dormindo. Como seria bom tê-lo em seus braços. Com carinho, passa a mão em seu cabelo.
Ele se assusta com a presença de Edith.
_Nossa, a senhora me assustou.
_Você com esse negócio de senhora de novo.
Ele sorri para ela. Edith ganha o dia ao vê-lo sorrir.
_Gosto de respeitar meus patrões.
_Não sabe como adoro ver você sorrindo.
Guilherme fica envergonhado com o elogio.
_A senhora está me deixando constrangido.
_Pare com essa história de senhora. Não sou tão mais velha que você.
_Como já disse, é uma questão de respeito.
_Não quero que você me respeite, Guilherme.
_Por favor, dona Edith, achei que a senhora ia me esquecer.
_Como posso esquecer o homem no qual meu coração bate mais forte só pelo fato de vê-lo sorrir?
_Dona Edith... eu...
_Eu amo você, Guilherme. Case-se comigo.
Aquilo pega o capataz de surpresa. Ele se levanta. Coloca a camisa. Edith continua sentada, observando-o nos mínimos detalhes.
_Dona Edith, eu... _E é interrompido por Edith.
_Não me chame de Dona, me chame de Edith.
Ele sorri sem graça.
_Não consigo. A senhora é minha patroa.
Edith se levanta furiosa.
_Patroa, senhora, que coisa, Guilherme. Esqueça isso e torne-se um Decresson. Gostaria que usasse meu nome. Terá tudo o que quiser. Dinheiro, poder e status. Posso mostrar o mundo para você. Tenho certeza que posso fazê-lo feliz.
_Não a amo, Dona Edith.
_Esqueça esse negócio de amor. Eu compro seu amor se você quiser.
Guilherme a olha, indignado.
_Não estou a venda, Edith. Gostaria de poder sustentar uma mulher, com meu proprio dinheiro.
_Não precisa. Eu sustento nós dois. Assumi os negócios da empresa. Poderá trabalhar lá se quiser.
_Quero me formar, quero ser alguém. Tive que parar de estudar para ajudar meu pai, que teve que se aposentar por invalidez. Estou tentando há muito custo concluir o segundo grau. Vou fazer Faculdade de Administração, ser alguém na vida. Sei que tenho faro para negócio.
_Eu pago a Faculdade, seus pais podem vir morar comigo. Tenho certeza que em muito pouco tempo você estará me amando.
_Se você não se ofender, prefiro trabalhar como capataz. Seria injusto casar com você sem amá-la, só pelo seu dinheiro.
Edith tira o sorriso do rosto. Estava sendo rejeitada pela segunda vez na vida. Ela se levanta e o abraça.
_Eu passei esses dois meses pensando em você. Sonhei com você na minha cama, todo esse tempo. Quando você entrou pela sala, para trabalhar aqui, sabia que era você o homem que eu queria ao meu lado. Fiz tantos planos. Imaginei eu e você em Paris comprando roupas e perfumes. Uma viagem para Nova York para conhecer a capital do mundo.
Guilherme via que por mais que ele se esforçasse, não estava conseguindo fazer sua patroa o entender. Teria que ser mais sincero.
_Edith, eu não a amo. Eu quero trabalhar e estudar, só isso. Se eu tiver que crescer vai ser pelo meu esforço, pela minha capacidade e não me casando com uma mulher rica.
Edith tira o sorriso do rosto. Pela Terceira vez estava sendo rejeitada por ele. Guilherme a afasta. Fica de costas para ela, diante da janela. Seus olhos azuis de enchem de lágrimas e ela o abraça por trás.
_Eu te amo, como nunca amei ninguém em minha vida. Não me rejeite.
_Eu não a amo, Edith, por favor, entenda.
Ela se afasta dele. Ele vira-se e ela o encara.
_Existe outra mulher? _Pergunta Edith mais agressiva.
_Não, não existe. Não existe ninguém. O que existe é uma vontade enorme de trabalhar para conseguir dar uma vida melhor para mim e para meus pais.
Edith pega a foto de Guilherme na escrivaninha. Olha para ele de forma obcecada.
_Não me rejeite pela terceira vez.
_Por favor, não encare isso dessa forma. Por favor, Edith, tente entender.
_Nãããããããooooooo _Berra Edith desesperada.
Ela pega tudo que estava encima da mesa e começa a jogar nele.
_Edith, o que é isso, ficou louca? _Pergunta ele assustado.
_Maldito, vai se arrepender de ter me rejeitado.
_Não podemos ser amigos? Não podemos ser apenas patroa e funcionário. Viu que meu trabalho é bom, a Fazenda está indo muito bem.
Edith pega o retrato de Guilherme e o rasga inteiro.
_Viu o que eu fiz com sua foto...
_Não pode fazer isso. _Berra Guilherme indignado.
_Posso fazer o que eu quiser. Tudo aqui nesta Fazenda é meu. Você está sob o meu teto.
Ela se aproxima da escrivaninha dele e começa a abrir as gavetas. Ele tenta impedir, mas ela estava incontrolável. Edith começa a revirar tudo. Abre uma gaveta e acha várias fotos. Começa a rasgar todas.
_Sua desgraçada _Berra Guilherme. Ele consegue salvar algumas fotos. Eram fotos dele e de seus pais.
_Veja lá como fala comigo.
_Não fico aqui mais nem um minuto. Eu me demito _diz Guilherme indignado.
Edith cai em si e se ajoelha diante dele. Agarra seus joelhos, começa a se humilhar.
_Por favor, me perdoe. Não vá embora.
_Veja a que ponto a senhora chegou. Destruiu várias fotos minhas, de valor sentimental.
_Eu mando fazer de novo, faço tudo que você quiser.
_Não dona Edith, não fico nessa fazenda nem mais um minuto. Vou embora agora. Minha convivência com a senhora tornou-se insuportável.
_Não diga isso, pelo amor de Deus. Eu te amo, muito.
Ela se desespera com a possibilidade de nunca mais vê-lo. Só que Guilherme estava determinado a ir embora. Ele abre o armário e pega sua mala. Assim que a abre, começa a colocar suas roupas dentro dela. Edith se levanta e começa a tirá-las de dentro da mala.
_Não, você não vai, não vou deixar.
_A senhora é louca? _Pergunta Guilherme indignado.
Edith olha para ele, para as roupas espalhadas pelo chão. Via que tinha perdido o controle. Guilherme a olhava indignado.
_Tenho muito dinheiro, ao meu lado posso mostrar coisas que nunca imaginou ver em sua vida. Por favor, fique comigo.
_O que a senhora tem que entender, Dona Edith, é que eu não estou a venda. Não casaria com a senhora só por que tem muito dinheiro. Além do mais tenho certeza que muitos gostaria de estar ao seu lado. Acabou, dona Edith. Vou embora hoje.
Edith se desespera. Olha para seu capataz e percebe que ele estava decidido a ir embora.
_Tudo bem, fique pelo menos até amanhã. Vou para minha casa. Vejo suas contas e você vai embora.
_Não, eu quero ir hoje.
_Guilherme, por favor.
Ele a olha e fica com pena de Edith. Fica comovido em vê-la chorar. Estava realmente apaixonada por ele. Não sabia se a palavra era apaixonada ou obcecada. Para ele não faria diferença, só queria sair dali o quanto antes.
_Está bem. Eu fico até amanhã. Só que quero sair daqui amanhã bem cedo. Vou trabalhar.
Guilherme pega seu chapéu e sai. Edith se ajoelha. Com calma começa a arrumar as roupas dele. Naquele momento uma idéia lhe vem a cabeça. Olha para sua mão e vê um anel dado por Kleber a ela, quando ainda eram noivos. Era um anel com brilhantes feito com prata e ouro branco. Coloca em sua mala. Arruma a roupa com calma, a fecha e coloca dentro do armário. Ela sorri. Dentro de sua insanidade, tinha decidido definitivamente o futuro de Guilherme. Ela sai da casa do Capataz. Rapidamente caminha para a Casa Grande da Fazenda.

...

Uma hora depois...
Edith estava sentada na mesa de jantar, iria ser servido o almoço. Marco tráz o primeiro prato. Ela olha com calma e analisa nos mínimos detalhes. Sente o cheiro e começa a comer. Acha o tempero da cozinheira horrível.
_Tire essa horror da minha frente _diz Edith tomando um gole dágua
_Sim senhora _diz Marco.
Ele vai para a cozinha e percebe que as cozinheiras se empenhavam ao máximo para fazer tudo a gosto de Edith. Alguns minutos depois, ele vem com outro prato. Novamente sua patroa prova e detesta o sabor.
_Que tempero horrível é esse, Marco?
_É a cozinheira, seu Kleber gostava dela.
_Eu a quero fora desta casa ainda hoje, entendeu? Escuta, e o José? Deixei em minha mesa a quantia que ele merece.
_Ele já foi embora.
_Agora mande essa infeliz embora também. Contrate outra _Diz Edith dando as ordens.
_Sim senhora.
_Marco, peça para as empregadas vejam se acham meu anel, dado por meu falecido marido. Eu o tirei do dedo e não o encontrei. Muito estranho mesmo. Lembro-me de tê-lo colocado na pia de meu banheiro, mas não o vi mais lá.
_Tudo bem, faço os empregados procurarem o seu anel, sem problemas.
_Obrigada. Pelo visto vou Ter que comer um sanduíche. Fazer o que, essa cozinheira é horrível.
_A senhora não quer que eu prepare algo?
_Não, pensei bem e acho melhor comer outra hora. Esse monte de comida horrível me tirou o apetite. Preciso que você fiscalize as empregadas pela procura do anel, é o que eu mais amo.
_Sim senhora.
Ela vai para a sala de estar. Pega uma revista e começa a folheá-la. Marco reune as empregados e pede para que eles procurem o anel pela casa toda. Dentro de sua loucura, Edith achava realmente que o tinha perdido.

...

O tempo se passou e ninguém encontrou o anel. Edith então manda verificar nos quartos dos empregados. Ninguém o havia encontrado. Ela estava indignada.
_Marco.
_Sim senhora.
_Mande procurar nas coisas do capataz. Só sobrou lá.
_A senhora acha que ele teve a ousadia de roubar algo seu?
_Nunca se sabe, meu caro Marco, nunca se sabe.
_Vou fazer o que me pede.
Edith continua a folhear a revista. Ele vai a casa do Capataz, para tentar ver se o anel poderia estar por lá.

...

Na casa do Capataz...
Marco entra no quarto do rapaz e começa a procurar pelo anel de sua patroa. Estava aproveitando a oportunidade dele estar fora. O mordomo fiel de Edith vasculha tudo. Passa um tempo procurando. Até que ele resolve olhar a mala de Guilherme. Para sua supresa, a abre, vasculha as roupas e bem embaixo de tudo encontra o que estava procurando. O anel de sua patroa. Tinha que mostrar isso a ela.

...

Na Casa Grande da Fazenda...

Edith estava sentada na sala, lendo a revista, quando Marco aproxima-se dela.
_É esse o anel que a senhora estava procurando?
Edith olha para ele e sorri.
_Ele mesmo, Marco, onde estava?
_Na mala de Guilherme, o capataz. Ele estava se preparado para ir embora. Pelo menos é a impressão que eu tenho. Sua mala estava pronta, com todas as suas roupas dentro.
Ela fica indignada com aquilo.
_Achei que podia confiar nesse rapaz.
_A senhora quer que eu chame a polícia?
_Não, quero que reuna uns quatro homens e lhe dê uma boa surra.
Marco sorri para a patroa.
_Isso pode ser um belo corretivo.
_Ele precisa aprender a saber com quem ele está lidando. Quero que pegue suas roupas , fotos, documentos e queime tudo. Traga-o aqui, eu quero ver como ele ficou. Depois o expulse daqui, com uma mão na frente e outra atrás.
_Sim senhora.

...

Edith estava sentada na sala, quando quatro homens e Marco entram. Arrastavam Guilherme muito machucado. A boca estava sangrando. A roupa estava toda rasgada. Tinha levado uma bela surra.
Marco o joga diante de Edith, que o observa calmamente. Ele fica de joelho, as mãos estavam amarradas. Desesperado, aos prantos, Guilherme não estava entendendo nada.
_Dona Edith, o que eu fiz?
_Reconhece esse anel? _Pergunta Edith mostrando o anel para ele.
_Não, de quem é?
_É meu. Meu mordomo encontrou em sua mala.
_Na minha mala, não, não é possível. A senhora estava comigo, viu que eu não peguei nada. Saí de casa e somente a senhora ficou. Nem tinha voltado do Celeiro, que eu estava fazendo uma visita aos cavalos.
Marcos se enfurece, por que ele estava insinuando que quem armou aquilo tudo fora sua patroa. Ele lhe dá um chute nas costas, fazendo com que Guilherme sinta mais dor.
_Bata em sua boca antes de acusar a patroa, seu infeliz. Eu sugeri levá-lo a polícia, ela é quem não quis.
_A senhora acha que fui eu quem roubou seu anel? _Pergunta Guilherme com seus olhos cheios de lágrimas. De sua boca saia mais sangue.
_Sim, eu acho. As evidências estão contra você. Quando me perguntaram se eu queria levá-lo para a polícia, eu disse não. O problema é que eu não queria deixar barato. Então sugeri uma surra, foi o que aconteceu. Agora, saia de minhas terras. Está demitido. Não quero mais saber de você tentando roubar minhas coisas por aqui. _diz Edith séria, olhando para Guilherme.
Ele a encara com ódio. Sabia que ela tinha armado aquilo tudo para ele por que ele a rejeitara. Ela esteve no seu quarto implorando por seu amor. Agora ele estava pagando o preço por tê-la rejeitado.
_Tudo bem. Minha consciência está tranquila. Um dia, Dona Edith, vamos nos reencontrar e nesse dia tudo vai ser muito diferente. Posso passar no meu quarto pelo menos para pegar minhas roupas? _Pergunta Guilherme sério.
_Não, vai sair daqui sem nada _diz Edith.
Guilherme não entende o que ela queria lhe dizer.
_Como assim? Não estou entendendo _diz Guilherme.
_Suas roupas, seus pertences, tudo que era seu pegou fogo. Ordenei que fizessem isso _diz Edith sorrindo cruelmente para Guilherme.
_Sua desgraçada, vai me pagar, um dia nos encontraremos de novo _Berra Guilherme desesperado. De seus olhos caem lágrimas de dor, sentia-se humilhado.
Eles o levantam. Edith se aproxima dele. Sem pensar duas vezes, lhe dá uma bofetada no rosto.
_Você está servindo de exemplo para aqueles que queiram ir contra mim. Que queiram roubar alguma coisa minha. Ponha esse sem vergonha para fora de minha Fazenda _Berra Edith.
_Vamos levar esse infeliz para longe _diz Marco.
Eles o levam. Edith senta-se na poltrona e volta a folhear sua revista.

...

Uma camionete para diante da Entrada da Fazenda Decresson. Um homem abre a porta e joga Guilherme na estrada de terra. O motorista sorri para ele e a dá partida. Entra pelo mesmo lugar que saiu, levantando poeira. Ele cai no chão de terra e fica todo sujo de poeira. A sujeira se mistura com o sangue em sua boca. Agora ele se encontra sozinho, sem nada, sem ninguém. Olha para a entrada da Fazenda e vê escrito “Fazenda Decresson”. Pega uma pedra e joga na placa, fazendo um barulho forte metalizado.
_Vou me vingar de você, Edith Decresson. Vai me pagar por toda a humilhação que eu estou passando.
Ele começa a caminhar pela estrada. Ela vai dar numa auto estrada. Guilherme estava sem dinheiro, sem roupa, não tinha documentos. Não sabia o que iria fazer. De seus olhos caem lágrimas de desespero. Fora vítima de uma cruel armação e não poderia provar nada.


...

Três horas depois...
Os carros vão passando e ele caminha sem rumo pela estrada. Até que um deles se aproxima. Guilherme não estava pedindo carona. O Sol estava a pino. Já havia caminhado muito. Estava cansado e machucado. Um carro aproxima-se dele. Um senhor o dirigia.
O carro o estava acompanhando, ele já não estava ouvindo mais nada.
_Vai para onde, filho? _Pergunta o senhor educadamente.
Guilherme olha para ele e não fala nada. Desmaia. O senhor para mais adiante com o carro. Desliga o motor. Abre a porta e sai correndo em direção ao pobre rapaz. Via que ele estava sangrando e com a roupa toda rasgada. Com calma o pega no colo. Com dificuldade abre a porta do passageiro e o coloca atrás. Dá a volta no carro correndo, abre a porta do motorista e parte acelerado.
_É rapaz, precisamos levar você a um médico. Parece que levou uma surra _diz o bondoso senhor.

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