Capítulo 2
Edith e Guilherme acertam os detalhes. Julio observava os dois a distância. Estava parado próximo a porta do escritório.
Ela se levanta e estende a mão. Guilherme a cumprimenta.
_Comece amanhã. Terá tudo o que precisa.
_Claro. Muito obrigado, patroa.
Ele se retira. Edith guarda alguns papéis que o seu novo capataz tinha assinado.
_Acho que não tem mais homem nenhuma aqui comigo, pode ir dormir, está liberado _diz Edith irônica.
_Verdade. Acho que posso descansar _diz Julio.
Ele se afasta. Edith fica sentada diante da escrivaninha. Percebe que aquele homem tinha mexido com ela. Seria difícil resistir a sua simplicidade, seu sorriso. Teria que ter cuidado. Julio estava a espreita. Sempre em lugares estratégicos.
...
Duas semanas depois...
Kleber estava em Pingos de Ouro. Estava tomando café. Helena tinha ido para a escola. Felipe estava com a babá no jardim. A esposa de Julio aproxima-se de seu patrão.
_O café estava do seu gosto, patrão?
Kleber sorri para a empregada.
_Claro, Laura. Estava uma delícia. Pena eu não poder almoçar aqui.
_Ainda bem que gosta de meu tempero.
_Julio fez bem em conhecer você. Tem um Dom. Fazer tantas coisas gostosas. Bem, vou trabalhar. Ainda tenho que fazer uma longa viagem minha fazenda próxima a Goiânia.
_Sim senhor.
_Laura, por favor, cuide das crianças para mim. Vou viajar e eles ficarão sozinhos.
_Claro, patrão.
Ele pega as chaves e a carteira e sai. Helena estava do lado de fora e ao ver o pai corre em sua direção. Ele a abraça.
_Oi pai _diz Helena enchendo-o de beijos.
_Oi, minha linda. Como foi a escola? _Pergunta Kleber beijando as rosadas bochechas da filha mais velha.
_Teve muita brincadeira hoje na sala de aula com a tia _diz Helena.
_Papai vai ter que viajar, vocês vão ficar aos cuidados de Laura. Obedeça-a sempre. Tudo bem? _Pergunta Kleber olhando para ela e beijando seu nariz.
_Está bem. Cuido de meu irmãozinho também. _diz Helena.
_Isso mesmo _diz Kleber.
Ele beija a filha e ela corre para dentro de casa. O capataz traz seu carro. Ele agradece, entra e sai. Seu opala era recém comprado.
...
Edith estava caminhando pelo pasto, quando Guilherme se aproxima. Estava sem camisa e suado. Estava montado em seu cavalo.
_Patroa, uma vaca resolveu fugir, fui atrás e consegui recuperá-la.
_Que bom, se não seria um prejuízo para meu marido.
_Vim aqui avisar isso a senhora. Por isso não vim imediatamente, assim que a senhora chamou.
_Tudo bem, isso acontece. Por favor, Guilherme, não me chame de senhora, não sou tão mais velha que você.
_Tudo bem, dona Edith.
_Assim é melhor. Tem uma cerca nos fundos da Fazenda que parece que foi derrubada. Pode dar uma olhada para mim?
_Claro que sim.
Guilherme desce do cavalo e o amarra próximo a entrada da Casa Grande. Ele dá a volta pela casa. Edith o segue. Olha para os lados e percebe que Julio ainda não tinha acabado suas tarefas. Tinha esquecido de pedir para o segurança ir andar com a patroa.
Ao chegar perto da cerca, Guilherme estranha. Não havia nada derrubado. Edith se aproxima dele. Olha para os lados e percebe que eles estavam sozinhos.
_Não há nada aqui, dona Edith.
Guilherme é supreendido por ela, que o abraça forte. Olha bem no fundo de seus olhos azuis e passa a mão em seu rosto.
_Você é o homem mais bonito que eu já vi na vida.
_Dona Edith, por favor, eu...
Ela coloca um dedo em sua boca e o impede de continuar.
_Faça amor comigo. Desde que você entrou pela porta da Casa Grande, eu não consigo pensar em outra coisa a não ser poder sentir você, em todos os sentidos.
Guilherme estava constrangido. Ela era a esposa de seu patrão. Ele mesmo em pessoa o tinha contratado, ao vê-lo trabalhar numa fazenda próxima a Goiânia.
_Não, por favor, dona Edith, assim a senhora me complica.
_Por favor, Guilherme, eu acho que estou apaixonada por você.
_Não está não. Como pode uma mulher tão elegante se apaixonar por um bronco como eu? Não está certo, por favor.
Edith não aguenta e beija sua boca apaixonadamente. Ele resiste, e a afasta. Segura seus pulsos com força, impedindo-a de se aproximar dele.
_Não faça isso, dona Edith.
Ela sorri para seu capataz.
_Você me quer, você me deseja.
_Isso nunca vai acontecer. Meu único objetivo na vida é concluir o segundo grau e poder estudar numa Faculdade. Mulher nenhuma vai fazer com que isso mude.
_Não gostou de meu beijo? _Pergunta Edith olhando para ele.
_A senhora é uma mulher muito bonita, mas meus planos na vida são outros.
_Posso te dar tudo o que você quiser.
_Quero conseguir com meu esforço.
Ele a solta. Ela não desiste. Louca de paixão, ela o abraça forte e o beija apaixonadamente. Só que não contava com a aparição de Julio na varanda do segundo andar, próxima a onde eles estavam.
_Por favor, pare _Berra Guilhertme assustado. Ele a empurra com força. Ela se desequilibra e cai no chão. Olha para ele séria.
_Eu quero você para mim, não me rejeite. _diz Edith abalada.
_Não posso ter nada com a senhora, Não posso e não quero. Preciso do dinheiro desse emprego para estudar e ir para uma faculdade. Por favor, não insista _diz Guilherme olhando para ela sério.
_Não está vendo que ele não quer nada com a senhora? _Pergunta Julio olhando para ela, sério.
Edith percebe que ele tinha visto tudo. Guilherme se assusta.
_Minha nossa senhora, seu Julio, eu não tive culpa _diz Guilherme. Seus olhos se enchem de lágrima. Não podia perder aquele emprego.
_Pode ir, Guilherme, depois conversamos _diz Julio sem tirar os olhos de Edith.
Ela se afasta de Guilherme. Ele corre para seu cavalo. Estava muito envergonhado com tudo aquilo que tinha acontecido.
Julio desce as escadas. Edith entra na casa. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
_Por favor, não conte para Kleber, ele vai me matar.
_Por que não se dá ao respeito? Ele lhe deu outra chance.
_Eu sei Julio, mas eu não aguentei. Guilherme é muito bonito, além de simples e trabalhador. Estou meio carente.
_A senhora é uma vagabunda. Ele precisa ficar sabendo isso.
_Ele vai me surrar até a morte.
_A senhora bem que merece isso.
_Por favor, você deixaria Helena e Felipe sem mãe?
Julio pega o telefone para ligar para o patrão, mas ao ouvir o que Edith tinha acabado de falar, coloca o fone no gancho. Ele vira e a olha sério.
_Sabe muito bem qual é o meu ponto fraco, não é mesmo? Sabe o quanto amo os seus filhos. Ainda bem que são crianças e não entendem o que está acontecendo.
Edith senta-se na poltrona diante de Julio.
_Estou carente. Você sabe que meu casamento acabou.
_Acabou por que a senhora quis. O patrão a amava e a senhora jogou isso pela janela.
_Eu me envolvi com o Oliveira. Na verdade acho que nunca amei Kleber Decresson.
_Poderia deixá-lo ter escolhido outra pessoa e agora...
_Sempre fui muito pobre. Meus pais sempre tão miseráveis. Ao ver a sua chegada em minha cidade natal não resisti. Era o marido que eu queria para mim. Queria ir embora de Bentes e esquecer que um dia nasci ali.
_E ele a escolheu para ser a mãe de seus filhos.
_Eu sei, mas em coração não se manda.
_Tudo bem. Eu me esqueci de mandar o segurança seguí-la, mas agora com certeza ele estará grudado na senhora. Tenho que ver o almoço, a sobremesa. Existe a possibilidade do patrão vir hoje aqui. Tudo tem que estar do jeito que ele gosta.
Julio se afasta. Edith sente-se aliviada. Com certeza, por amor a Helena e a Felipe, o mordomo não contaria nada a seu marido.
...
Kleber estava dirigindo seu carro. Já viajava há uma hora e o cansaço estava começando a tomar conta dele. Resolve parar. Só que o posto mais próximo já havia passado e o próximo estava há milhas de distâncias. Ele então resolve pegar um copo de café que sempre pedia para Laura fazer quando viajava. Distrai-se, colocando o café no copo e não percebe a chegada do cavalo. Ao voltar a atenção para a estrada, bebendo o café, percebe um cavalo a sua frente. Aquilo o assusta. Ele tenta desviar, para não matar o bicho. Consegue não atropelar o animal, mas numa virada brusca, o carro vira a toda velocidade e começa a capotar. Tudo é muito rápido. O carro só para quando encontra uma árvore na sua frente. Preso as ferragens, Kleber tenta sair do carro mas não consegue. Sente muita dificuldade de respirar. De seus olhos caem lágrimas. Uma vida inteira passa diante de seus olhos. Seu casamento, o nascimento de seus filhos, a traição da esposa. Sabia que estava no fim. Restava somente esperar. Sentia o sangue se esvair por causa de um grande corte no abdômen, causado por um pedaço de metal retorcido.
Ele fecha os olhos. Sabia que nunca mais iria ver sua esposa, seus filhos, seu trabalho.
...
Julio estava na sala arrumando a louça do jantar, quando a campainha toca. Ele vai em direção a porta e a abre. Era dois policiais.
_Boa noite, poderia falar com Edith Decresson.
Edith aparece na porta de entrada.
_Sou eu. Aconteceu alguma coisa?
_Sou o policial André, e esse é meu parceiro Luciano. Queríamos conversar com a senhora. Podemos entrar? _Pergunta o policial André.
_Claro, por favor _diz Edith fazendo com que eles entrem.
_Muito obrigado _diz Luciano sendo gentil.
Ao entrarem, vêem um quadro grande de Kleber e Edith, no centro da parede, embaixo da lareira da Casa Grande. Eles tiram o capacete e colocam embaixo do braço. Estavam de moto e tinha acabado de chegar, junto com uma viatura. Um policial aguardava os dois do lado de fora.
_Os senhores querem se sentar? _Pergunta Edith sendo educada.
_Muito obrigado, mas o assunto que temos a tratar com a senhora é muito grave _diz André sério.
Edith olha para Julio, que estava ao lado dela.
_O que foi? _Pergunta Edith abalada com a presença da polícia em sua casa.
_Kleber Decresson sofreu um grave acidente de carro. _diz o Policial André.
_Minha nossa senhora... Ele está muito machucado? Para qual Hospital ele foi levado? _Pergunta Edith abalada.
_Não temos boas notícias, Dona Edith _diz o policial Luciano sem jeito.
_Por favor, falem logo, estamos aflitos _diz Julio preocupado.
_Infelizmente o seu marido está morto, dona Edith _diz um dos policiais sem muitos rodeios.
Edith sente um frio na espinha. Olha para Julio assustada. Julio senta-se, para não cair. Não consegue esconder a dor e de seus olhos caem lágrimas. Seu patrão e amigo estava morto. Tentava se conter, mas não conseguia.
_Meu Deus. Ele tinha dois filhos lindos... o que vai ser deles? _diz Julio arrasado.
_Temos que pedir autorização a senhora para transportar o corpo _diz o policial André.
_Sim, eu autorizo _diz Edith.
Ela se assusta com tudo aquilo. Tudo muito inesperado. Senta-se na sala de estar, no sofá. Um dos policiais liga para a viatura próxima ao acidente com seu rádio e avisa que a esposa da vítima tinha autorizado a remoção do corpo.
_Precisamos que a senhora pegue seus pertences e reconheça o corpo _diz o policial Luciano.
Edith se aproxima da mesa próxima a escada e pega suas coisas. Para diante de Julio.
_Julio, vou ao Hospital reconhecer o corpo e liberá-lo, para que posssamos fazer o enterro. Mantenha a calma e controle-se, por favor _diz Edith para o mordomo.
_Sim senhora, Dona Edith. _diz Julio atordoado.
Ela sai com os policiais. Julio acompanha os três. Assim que ele saem, Julio fecha a porta. Percebe que estava perdendo a força em suas pernas, precisa se sentar novamente, para não cair. No corredor de entrada da Casa Grande tinha uma foto de Dona Edith e de Kleber. Lembra-se muito bem daquele dia. Estavam tão felizes. Ele abaixa a cabeça e chora a morte de seu patrão.
...
Edith estava no corredor do IML em Goiânia. O corpo tinha sido retirado das ferragens e levado para lá com sua autorização. Um médico se aproxima dela.
_Dona Edith Decresson?
_Sim, sou eu.
_Bem, sou o médico legista e pude fazer a necrópsia de seu marido.
_Ele deve estar irreconhecível, não?
_Suas pernas e abdômen foram muito atingidos. Por incrível que pareça, seu rosto tem algumas marcas, mas a morte mesmo foi por homorragia interna, causando a falência múltiplas dos órgãos vitais. Um grande corte no abdômen foi o responsável. Ele morreu por que perdeu muito sangue.
_Posso me despedir de meu marido?
_Claro. Assim já assina a liberação do corpo.
O médico leva Edith até a sala onde estava o corpo de seu marido. Abre a porta e os dois entram. Ele levanta o lençol sobre o corpo, aparecendo somente da cintura para cima e Edith vê Kleber sem vida, encima daquela mesa. Seu peito tinha sido todo costurado. O médico a deixa sozinha com o cadáver.
Edith se aproxima dele. Olha para o marido com desprezo. Seus olhos se enchem de lágrimas. Uma mistura de ódio e raiva lhe invade o peito. No fundo, um grande alívio. Ela estava livre, para sempre.
_Não sabe o prazer que me dá olhar para você e perceber que nunca mais vai me perturbar, me vigiar, me atrapalhar. Seu dinheiro é meu agora. Suas empresas são minhas, suas fazendas também. Sou viúva. Bonita, linda e livre. Você matou o único homem que amei na minha vida. Tenho certeza de que ele deve estar muito satisfeito, onde ele estiver, com sua morte. Vim aqui só para dizer que estou livre de sua tirania. Agora, rica e poderosa, vou fazer o que quiser da minha vida. Nunca mais serei vigiada. Trabalharei muito para dobrar tudo o que você me deixou e me tornarei uma mega empresária. Agradeço a Deus, sua morte. Espero que esteja queimando no inferno.
Edith sorri. Pega o lençol e cobre o cadáver.
...
Edith entra na Casa Grande da Fazenda Decresson próximo a Goiânia. Julio aparece na sala. Olha para ela, sério. Ela percebe que ele estava com os olhos vermelhos. Devia estar chorando a morte de seu patrão.
Ela joga a bolsa sobre o sofá. Aproxima-se da janela e sorri.
_Como as coisas são engraçadas. A pouco tempo era uma prisioneira em minha própria casa, agora sou a dona absoluta de tudo isso. Graças a morte de Kleber Decresson.
_Como pode falar isso? Ele acabou de morrer. Quanta insensibilidade.
_Fui ver seu corpo no IML. É ele mesmo, meu caro. Ela está bem morto e dou graças a Deus. Fiquei livre de um tirano.
Os olhos de Julio se enchem de lágrimas.
_Não sei se vou aguentar trabalhar para a senhora. Sei que me detesta, por causa de tudo que aconteceu. Não se preocupe. Vou fazer minhas malas. Minha esposa e eu sairemos de sua casa o quanto antes.
_O que foi? Estava caminhando pela calçada, escorregou e bateu a cabeça no meio fio?
Julio ia em direção a cozinha, mas ao ouvir aquilo, para. Vira-se para a patroa e caminha em sua direção.
_Como? Pelo que eu saiba não.
_Laura é uma cozinheira de mão cheia e só ela conhece como gosto de meus pratos. Sabe que eu a preparei especialmente para isso. Você ama meus filhos. Quem vai cuidar melhor deles quando eu estiver fora? Ou você acha que só por que eu fiquei rica da noite para o dia vou virar uma socialite sem eira nem beira gastando o dinheiro a torto e a direita? Vou dobrar essa patrimônio. Vou me tornar uma mega empresária do ramo de supermercados. Vou mostrar ao meu marido, onde quer que ele esteja, que sou melhor que ele. Portanto, não ouse sair dessa casa e muito menos da vida de meus filhos. Ou vai se arrepender amargamente. Não sabem o que eu sou capaz de fazer se pararem de trabalhar para mim. Tem uma filha e está para nascer a outra, ou outro, não sei, em poucos meses. Eles serão meu trunfo. Não vou exitar em fazer algo contra eles se vocês forem embora e me largarem na mão.
Julio sabia que estaria para sempre ligado a Família Decresson. Com Kleber Decresson ainda vivo, era leal e fiel a seu patrão, que tanto o ajudou. Agora a Família Decresson tinha uma matriarca. Uma mulher fria a calculista, capaz de destruir qualquer um que cruzasse seu caminho. Sabia que tinha uma dívida de gratidão a seu patrão. Jamais abandonaria Helena e Felipe, seus filhos tanto quanto Alzira, sua filha mais velha. Seu maior receio é que Helena fosse a pessoa que mais sofreria com tudo isso. Edith e ela nunca se deram bem. Apesar de não Ter escolha, ficaria para ajudar Helena nesse duro caminho que estava começando em sua vida. Na ausência de seu pai.
_Sim senhora. Vou serví-la. Não será preciso ameaçar-me.
_Ainda bem, melhor assim. Quero que pegue o carro e volte para Pingos de Ouro. Cuide do enterro de meu marido. Tenho algo para resolver aqui nesta fazenda.
_Tudo bem. Vou indo.
Julio sai da sala. Sabia muito bem a que ela estava se referindo. O problema a ser resolvido se chamava Guilherme. O novo capataz.
Edith sobe para seu quarto. Escolhe um vestido preto. Na verdade, gostaria de estar comprando um novo guarda roupa, mas depois que passasse o luto. Agora, tinha que fingir estar abalada com a morte de seu marido. Na verdade, gostaria que todos soubesse o quanto estava aliviada. Sentia-se livre.
...
Meia Hora depois...
Guilherme estava no banheiro. Tinha acabado de tomar banho e estava se enxugando. Assim que termina, sai do banheiro e vai para o seu quarto. Estava completamente nu. Enxugava o cabelo, e para sua supresa encontra Edith Decresson parada diante de sua escrivaninha, no quarto da casa reservada ao caseiro da Fazenda Decresson. Ele deixa a toalha cair no chão. Olhava as fotos da família de Guilherme. Seus pais, sua casa no interior. Ao vê-lo como veio ao mundo, olha com desejo para aquele belo homem, parado, na frente da porta do banheiro, completamente nu.
_Você é o homem mais lindo que eu já vi na vida.
Constrangido, ele apanha a toalha e cobre a genitalia, que estava exposta.
_O que a senhora faz aqui?
Ela pega uma foto dele montado a cavalo. Tinha ganhando um prêmio. Ele estranha o fato dela estar toda de preto.
_Vim aqui falar com você, percebi que você estava tomando banho. Então fiquei vendo suas fotos.
_Por favor, Dona Edith, seu Kleber pode aparecer. Ou o seu Julio. Vão me demitir. Eu preciso desse emprego.
_Seu Kleber não vai aparecer. Nunca mais.
Guilherme pega um short. Vira-se para a patroa. Veste-se rápido. Não tinha entendido nada do que ela tinha dito.
_Como assim? Ele se separou da senhora?
_Kleber Decresson está morto, Guilherme. Estou toda de preto por que estou de luto. Ele morreu a quatro horas atrás num grave acidente de carro. Seu corpo está sendo levado para Montes Claros. Vamos enterrar no Cemitério de nossa fazenda, Pingos de Ouro.
Guilherme puxa a cadeira e se senta. Estava abalado com a notícia.
_Que tragédia, dona Edith. Estou muito triste.
_Eu não estou.
Ele fica chocado com o que sua patroa tinha acabado de falar.
_Como assim, dona Edith? A senhora não amava seu marido?
_Isso não é da sua conta _diz Edith séria.
_Mil desculpas, apenas fiquei chocado com o que a senhora falou.
_Não fique. Eu sei que isso não é da sua conta, mas mesmo assim vou te falar. Nunca amei Kleber Decresson. Eu cresci numa cidade miserável, com uma família miserável. Uma cidade chamada Bentes. Ele apareceu por lá, para um evento e eu vi nele a saída para todos os meus problemas. Um homem bonito e rico. Fiz com que ele se encantasse comigo e depois de dois anos estávamos casados. Só que eu nunca o amei. Achava que o amava. Dei dois filhos a ele, mas nunca o amei.
_A senhora não vai ao enterro?
_Por que cisma em me chamar de senhora? Não sou tão mais velha que você.
_É uma questão de respeito.
_Você respeita demais as coisas. Qualquer outro capataz já teria ido comigo para cama. Sou uma mulher bonita, fogosa e agora rica, muito rica.
_Por favor, peço pelo menos que respeite a memória de seu marido. Ele acabou de morrer, dona Edith. O que a senhora tem no peito? Um coração ou uma pedra?
Edith sorri. Ela se aproxima dele. Ajoelha-se e coloca a mão em suas pernas. Sente seu cheiro. Era um belo exemplar masculino. Corpo perfeito, olhos azuis, cabelos pretos. Estavam despenteados. A barba levemente por fazer.
_Eu quero que reconsidere meu pedido. Vou ao enterro de meu marido, mas volto para a Fazenda e eu quero você. E não ouse me dizer um não. Agora sou sua patroa. Lembre-se disso.
Guilherme não estava acreditando no que estava ouvindo.
_Minha permanência nesta Fazenda, como capataz, está vinculada a eu ter que me deitar com a senhora? _Pergunta Guilherme indignado. Ele se levanta diante dela.
Edith o olha e admira cada parte daquele belo homem. Pernas, peito, boca. Ela o encara. Coloca a mão em seu rosto.
_Eu quero uma noite de amor com você, Guilherme.
_Só que eu não me deito com quem eu não amo.
_Está querendo insinuar o que?
_Não estou insinuando nada. Sou um bronco, um cara sem educação. Não sou homem para a senhora.
Edith o abraça e tenta beijá-lo. Ele a afasta e segura seus pulsos. Ela se debate, mas ele é mais forte.
_Você está me machucando.
_Por favor, me esqueça dona Edith.
Ela consegue se desvencilhar dele. Com o dedo e riste, o ameaça.
_Pense muito bem no que eu estou lhe dizendo. Quero uma noite de amor com você. Não vai se arrepender. Pelo menos pense nisso. Ou é melhor você desistir de trabalhar aqui ou em qualquer outro lugar.
_Por favor, não faça isso.
Edith sai do quarto de Guilherme. Ele se deita na cama e olha para o teto. Estava numa grande enrascada. Como fazer sua patroa entender que não queria nada com ninguém. Só queria ser alguém na vida.
...
Cinco horas depois...
Pingos de Ouros...
Montes Claros...
Helena estava no colo de Julio. Chorava muito a morte do seu pai.
_Calma, minha querida.
_Ele me deixou.
_Eu estou aqui, ele me pediu para cuidar de você.
_Pediu mesmo?
_Pediu sim, meu amor.
_Estou sozinha no mundo, Julio.
_Não fale isso. Tem a mim, a Laura e a seu irmão Felipe. Ainda tem sua mãe, que te ama muito.
_Julio, ela me odeia. Eu sei disso _diz Helena com a cabeça encostada no ombro do leal mordomo.
Julio olha para Laura, que estava com Felipe no colo. O pequeno menino estava dormindo. Ele era muito pequeno para entender tudo o que estava acontecendo.
_Meu amor, sua mãe a ama. _diz Laura.
_Você vai poder dormir comigo e com Laura sempre que quiser _diz Julio sério.
Helena afasta sua cabecinha e o encara. Dá um sorriso, triste.
_Jura? _pergunta Helena enxugando os olhos.
Aquilo enternece o mordomo.
_Claro, meu amor _diz Julio sorrindo para ela. Com carinho limpa as lágrimas que teimavam em cair.
Eles estavam na sala, quando a porta da frente se abre. Era Edith chegando. Ela vê a pequena reunião que estava acontecendo.
_Que comovente, uma reunião de subalternos na minha sala _diz Edith irônica.
Com Helena no colo, agarrada a ele, se surpreendem com a chegada de Edith.
_Contamos a Helena agora sobre a morte do pai. Ela está sofrendo demais _diz Julio olhando para a patroa.
_Deixe essa garota no chão. Agora _Berra Edith.
Ele faz o que a patroa manda, mas ela não larga o mordomo.
_Não me deixe. Quero ficar com vocês _diz Helena chorando.
Edith aproxima-se de Laura e com calma pega seu filho nos braços.
_Vou botar seu irmão no berço, se eu voltar e continuar vendo você agarrado ao Julio, você vai ver o que eu vou fazer _diz Edith séria.
Ela sobe as escadas. Helena desce do colo de Julio.
_Por favor, minha querida, vá depois para nossa casa. Não a enfrente _diz Julio com pena da bela menina.
_Tudo bem, vou fazer o que me pede, mas se não fosse por vocês, dizia um montes de coisa para essa mulher _diz Helena com raiva.
_Não fale assim de sua mãe, querida, ela ama você _diz Laura.
_Não ama não _diz Helena, com muita convicção.
Edith desce as escadas.
_Eu quero entrar na minha sala e não ver criado nenhum. Pode ser? Quero Ter uma conversa com essa menina mal criada _Berra Edith.
Julio beija Helena. Ela tremia de medo. Aquilo o comove muito, mas ele não podia fazer nada.
_Eu estarei sempre aqui, está bem? _diz Julio.
_Está bem _diz Helena, apavorada.
Julio e Laura saem da sala. Edith vê Helena de pé, próxima a lareira da sala de estar. Aproxima-se da filha.
_Sente-se naquele sofá. Precisamos conversar.
_Sim mamãe.
Ela obedece a mãe, que senta-se no sofá do outro lado, diante dela.
_Infelizmente seu pai não está mais entre nós. O Julio deve ter falado.
_Sim, mamãe.
_Por tanto, somos nós três, eu, Felipe e você. Seu irmão ainda é pequeno, mas você já sabe o que é certo ou errado.
Ela balança a cabecinha positivamente, entendendo o que a mãe estava dizendo.
_Por tanto, temos que ser forte, ok? Venha dar um abraço em sua mãe.
Helena olha para ela séria.
_Não quero mamãe.
_Dar um abraço em sua mãe?
_sim, não quero.
Aquilo enfurece Edith. Ela se levanta e agarra seu braço.
_Menina insolente. Você vai aprender o que é bom para tosse _Berra Edith.
Ela tira seu cinto. Dobra e começa a correr atrás de Helena. A menina começa a berrar.
_Socorro, ela vai me matar _grita Helena chorando.
_Vem aqui, sua menina ingrata _Berra Edith.
O cinto acerta direto suas pernas, brancas como leite. Julio e Laura estavam abraçados. Ouviam tudo da cozinha e não podia fazer nada. Os dois choram a surra que Edith tinha começado a dar em sua filha.
...
No Escritório da Casa Grande de Pingos de Ouro...
Edith estava sentada diante de Paulo, que estava a sua frente. Era a abertura do testamento e a abertura do laudo do carro de Kleber. Se naquele documento, fosse constatada que o acidente que matou Kleber, não fora um acidente, e sim algo premeditado, as suspeitas cairiam sobre Edith Decresson e ela perderia tudo.
Julio estava atrás dela. Como era desejo de seu patrão, ele estaria na sala para ouvir seu testamento. Paulo olhava para ela, sério.
_Posso abrir o primeiro envelope?
Edith sorri para ele.
_Claro, vá em frente.
_É o laudo da perícia sobre o carro de seu marido. Sabe muito bem, que se o carro sofreu qualquer espécie de sabotagem, a senhora perderá tudo, não sabe?
Ela olha irônica para o Advogado do Decressons Supermercados.
_Claro. Você faz questão de me lembrar isso sempre, não é?
Paulo detestava aquela mulher. Se fosse comprovado que ela não fez nada contra Kleber, ele teria que trabalhar para ela. Assim como Paulo, Julio estava torcendo para que hovesse alguma coisa naquele carro. Para ela sair da vida deles sem absolutamente nada.
O advogado abre o envelope e o lê com calma. Em seguida, olha diretamente para a esposa de seu falecido amigo.
_Foi um acidente. Não houve sabotagem. Portanto, Edith Decresson deverá ser herdeira de tudo.
Os olhos de Edith se enchem de lágrimas. Finalmente sua hora chegou. Seria a dona do império Decresson definitivamente.
_Graças a Deus _diz Edith feliz.
_Vamos abrir o testamento. _diz Paulo.
_Claro, doutor _diz Edith irônica.
Ele abre o outro envelope pardo. Assim que o abre, olha para ela.
_Vou ler. “Deixo todos os meus bens, os supermercados, as fazendas e a minha fortuna para Edith Decresson, a minha esposa.” _diz Paulo olhando para ela.
Finalmente a vida sorria para Edith Decresson. Estava recebendo, tudo a que tinha direito.
_ Sabia que isso ia acontecer _diz Edith emocionada.
_”Porém... _ Edith olha para ele assustada. Ao perceber o que ele tinha dito, fica um pouco apreensiva. _ A Fazenda de Ribeirão Preto, e mais um depósito de cem mil dólares terão que ser feitos em nome de Julio Flores, garantindo para ele e para sua família, a tão sonhada independência financeira. O depósito é vitalício. Para minha filha, Helena Decresson, deixo dois milhões de dólares. E para meu filho, Felipe Decresson, os mesmos dois milhões de dólares, a serem herdados por eles ao completarem dezoito anos.” _diz Paulo olhando para Edith.
Ela olha para Julio e fica furiosa.
_Essa Fazenda de Ribeirão Preto é muito rentável, eu estive olhando alguns relatórios de meu marido. Não podemos simplesmente dá-la para um empregado qualquer _diz Edith indignada.
_Vamos respeitar a vontade de Kleber Decresson. _diz Paulo olhando sério para ela.
_Essa parte do testamento pode ser contestada? _Pergunta Edith irada.
_Infelizmente não _diz Paulo.
Edith se levanta indignada. Não queria abrir mão de nada que achava ser seu por direito.
_Isso não vai ficar assim _diz Edith.
Ela se levanta e sai do escritório. Paulo e Julio se cumprimentam.
...
Edith estava no seu quarto. Pega o telefone e liga para um amigo seu.
_Rogério Avelar, por favor _diz Edith.
_Quem deseja falar com ele? _Pergunta a secretária.
_Edith Decresson.
Ela aguarda alguns minutos na linha.
_Edith.
_Sou eu , Rogério, tudo bem?
_Tudo. A que devo essa honra?
_Rogério, acabei de ler o testamento do meu marido. Ele deixou a Fazenda de Ribeirão Preto para o mordomo. Uma Fazenda importante, lucrativa. Gostaria de saber com você, como podemos evitar que isso aconteça.
_Bem, Edith, a vontade de seu marido sempre vai prevalecer, é um testamento escrito por ele.
_Meu Deus, não há nada que eu possa fazer para impedir isso?
_Bem, o que poderia acontecer é seu empregado escrever, com sua própria letra, uma carta dizendo que abre mão da herança que recebeu. Só que isso é improvável acontecer.
Edith sorri maliciosamente.
_Era disso que eu precisava. Tenho certeza que possuo argumentos suficiente para convencê-lo a fazer isso.
_Edith, não vá se meter em encrencas.
_Não vou, acredite. Outra coisa, Rogério, prepare-se para assumir a advocacia de meu grupo. Paulo Meirelles vai ser demitido ainda hoje.
Rogério não acredita no que estava ouvindo.
_Que notícia maravilhosa, Edith.
_Quero estar cercada de pessoas na qual eu confio, e nesse advogado eu nunca confiei.
_Estarei preparado para isso.
_Tudo bem, aguarde, assim que eu assumir meu Conglomerado, chamarei para você trabalhar comigo.
_Está bem, e muito obrigado pela confiança.
Os dois desligam. Edith aproxima-se de sua escrivaninha e sorri. Pega papel e folha. Estava preparada para acabar definitivamente com a alegria de Julio.
...
Julio estava arrumando suas coisas. Tinha acabado de chegar ao seu quarto, queria tomar um banho, quando a porta de seu quarto se abre e Edith entra. Em seguida a fecha. Estranha a presença de sua patroa.
_Dona Edith, a senhora me deu um susto.
_Pegue este bloco e esta caneta. Quero que faça uma declaração. Abrindo mão de sua parte no testamento. Vamos aproveitar a presença desse advogado de porta de cadeia para regularizar isso de uma vez.
Aquilo pega Julio de surpresa, mas sabia que essa seria sua reação, ao ouvir o que seu patrão doou para ele em testamento.
_Era um desejo de meu patrão. Ele sabia que eu amava a Fazenda de Ribeirão Preto.
_O que é isso? Acha realmente que eu vou abrir mão daquela Fazenda? Faça-me o favor. Não discuta comigo.
Julio sabia que a reação de Edith não seria diferente.
_Sinto muito, dona Edith, mas aquela fazenda agora é minha.
_Ok, então não assine. E sua filha desaparece.
Ele não estava acreditando no que estava ouvindo. Estava sendo ameaçado pela patroa.
_Toque num fio de cabelo dela e eu mato a senhora.
_Darei um jeito para ela ser enterrada num lugar onde você nunca encontrará. Ou faz o que eu estou mandando, ou nunca mais verá sua filha. É por isso que eu acho super conveniente ter a família toda trabalhando para mim. Outra coisa super conveniente, é saber que ama meus filhos. Mais até do que eu. Assim, terei você eternamente nas minhas mãos.
_Com certeza uma coisa meu pai tinha razão. Dê poder as pessoas e elas se revelam, não é mesmo Dona Edith?
_Exatamente. Agora prepare-se para escrever o que eu vou ditar.
Julio estava indignado. Ele pega o bloco e começa a escrever. Edith dita, e ele vai escrevendo. Sabia muito bem que sua patroa era capaz de cumprir com sua ameaça.
_Aqui está, o que a senhora queria _diz Julio entregando a ela o papel assinado.
_Ótimo. Não preciso dizer que se alguém desconfiar disso, sua filha desaparece da mesma forma.
Julio a olha com ódio. Como uma mulher pode ser trão mesquinha e cruel como Edith Decresson. Ela sorri e sai de seu quarto.
...
Paulo estava no seu quarto. Sentado na sua escrivaninha, escrevia algo em sua agenda, quando a porta de seu quarto se abre. Era Edith.
_Vim lhe entregar isso. Gostaria que o tornasse oficial.
Ele pega o papel das mãos de Edith e lê. Assim que termina a olha indignado.
_Isso não pode ser.
_Como assim? Não pode ser? Ele resolveu abrir mão de sua parte no testamento.
_Você é muito cruel, Edith Decresson. Sempre desconfiei de você. Aquele olhar doce, meigo, escondiam uma mulher odiosa e mesquinha.
_Veja lá como fala comigo, seu advogadozinho de porta de cadeia. Você está sob o meu teto, sob a minha hospitalidade.
_Não vou fazer com que isso seja oficial por nada nesse mundo.
Edith sorri para ele.
_Aguarde só um instante.
Ela sai do quarto dele. Paulo senta-se na cama e lê o papel sem acreditar naquilo. Minutos depois ela estava de volta. Estava com um envelope na mão.
_Isso aqui é inacreditável.
_Tantas coisas inacreditáveis nesse mundo, meu caro advogado. Só que eu sou uma pessoa precavida e penso no futuro. Quando você esteve na Fazenda Decresson, para que eu assinasse aquele contrato, percebi que não poderia contar jamais com você. Como tinha algum dinheiro, contratei um detetive para investigar a vida do senhor. Encontrei muitas coisas interessantes, como o seu interesse por homens. Esse que o senhor beija nessa foto, deve ser seu namorado. Ou seu amante. Imagine, se sua esposa, Letícia, descobre que o marido dela, pai de dois filhos, tem um caso de pelo menos cinco anos com um rapaz, em Juiz de Fora. Dá casa, estudo e não sei o que mais. Não precisamos entrar em detalhes sórdidos, não é mesmo?
Paulo se levanta da cama, pega o envelope e se assusta ao se ver, aos beijos com seu amante. Ele a olha com ódio. Estava em suas mãos.
_Você é uma mulher execrável, Edith.
_Tão execrável que você vai fazer o que eu estou mandando, transformar esse documento em oficial e depois, vai pegar tudo que é seu e se demitir do Conglomerado Decresson. Aceitarei sua demissão. Não quero ter você trabalhando comigo nunca mais.
_Dediquei minha vida inteira ao grupo.
_Enquanto o imbecil de meu marido esteve vivo. Agora, ele vai ser enterrado daqui a algumas horas e eu, serei dona de tudo o que é dele. Estamos entendido?
_S...si....si...sim.
_Não preciso dizer que não é bem vindo em minha casa. Terminando o enterro, pegue seus panos de bunda e saia de minha casa. Não quero cruzar com sua presença insignificante nunca mais.
Edith fecha a porta calmamente. Paulo senta-se na cama e percebe que estava nas mãos dela. Teria que fazer o que ela estava mandando.
...
Edith entra no seu quarto e sorri. Gostava de ter o poder. Agiria assim sempre que cruzasse com alguém que fosse contra sua vontade. Iria sempre encontrar uma maneira de fazer com que todos que estivessem em sua volta acabassem fazendo o que ela desejava, sem nenhum problema. Agora era só escolher um belo vestido preto e fingir dor pela morte do marido. Na verdade o que os outros não poderiam saber era que ela estava radiante por dentro. Poderia abrir um champagne, para comemorar o poder, o dinheiro, o status. A melhor coisa que lhe aconteceu foi a morte de Kleber Decresson.
...
Ao anoitecer...
A cidade de Montes Claros vai em peso ao enterro de Kleber Decresson. As pessoas gostavam muito dele. Era um homem muito querido. Foi ele quem trouxe a cidade o progresso, com a instalação da Sede do Conglomerado de Supermercados, o Decresson, trazendo empregos para a construção civil e seus empregos indiretos. Montes Claros sempre viveu de sua agricultura artesanal, mas quando a Sede desse importante grupo chegou a cidade tudo mudou. Estavam no enterro dos diretores aos serventes. Era uma comoção, noticiada com destaque também nas tvs e rádios do país inteiro.
Quando o caixão baixou, muitas pessoas, emocionadas, jogavam rosas sobre ele. Edith acompanha tudo de longe. Seus filhos ao seu lado. Helena no colo de Julio e Felipe no colo de Laura.
Naquele momento, encerráva-se a fase de Kleber Decresson a frente dos negócios. Dali em diante, começava uma nova fase na vida de todos na cidade, nas empresas, nas fazendas. A era de Edith Decresson diante do império deixado por Kleber Decresson.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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